CPI NA ALMT

Após 70 perguntas, ex-adjunta da Saúde desabafa: "Estou, de verdade, esgotada"

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Após 70 perguntas, ex-adjunta da Saúde desabafa: "Estou, de verdade, esgotada"
A ex-secretária-adjunta da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), Caroline Campos Dobes Conturbia Neves - Foto: Reprodução / Noticias

Caroline afirmou que respondeu a todos os questionamentos feitos pelos deputados e negou que o depoimento reservado tivesse sido usado para esconder informações

A ex-secretária-adjunta da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), Caroline Campos Dobes Conturbia Neves, deixou a Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (26) afirmando estar emocionalmente esgotada depois de prestar esclarecimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde. Segundo ela, foram 70 questionamentos feitos pelos parlamentares durante a oitiva e nenhum deles ficou sem resposta.

O depoimento foi realizado de maneira reservada. A medida foi solicitada pelo advogado Ricardo Monteiro e aprovada pelos integrantes da comissão. Durante a sessão, jornalistas foram impedidos de acompanhar os trabalhos e a transmissão pelos canais oficiais da Assembleia Legislativa também foi suspensa.

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Ao sair da reunião, Caroline afirmou que a decisão de manter a oitiva sob sigilo não teve relação com uma tentativa de evitar perguntas ou impedir que informações fossem apresentadas aos deputados. Conforme explicou, a intenção foi preservar suas declarações de possíveis interpretações e utilizações políticas durante o período eleitoral.

“ Foram feitas 70 perguntas e as 70 foram respondidas”, declarou.

A ex-secretária-adjunta também defendeu que sua atuação na Secretaria de Estado de Saúde sempre ocorreu de forma técnica. Ela afirmou que documentos relacionados aos fatos investigados já foram encaminhados aos órgãos responsáveis pela apuração, incluindo a Polícia Civil, o Ministério Público e o Poder Judiciário.

Durante a conversa com jornalistas, Caroline voltou a mencionar decisões judiciais relacionadas ao seu nome na Operação Espelho. Segundo ela, a Justiça já havia determinado sua exclusão das investigações e ela jamais chegou a ocupar a condição de ré nos processos relacionados aos fatos.

A ex-gestora afirmou que apresentou elementos à Justiça para demonstrar que não participou das supostas irregularidades e que esse material foi analisado pelo Judiciário.

“Mesmo tendo uma decisão que já me excluiu dessas investigações, eu sequer fui ré. Eu apresentei as provas, elas foram julgadas e foi comprovado que eu não fazia parte disso”, afirmou.

Apesar de sustentar que nunca respondeu criminalmente pelos fatos, Caroline disse que decidiu comparecer espontaneamente à CPI para responder aos questionamentos dos deputados e apresentar sua versão sobre os episódios investigados.

Em outro momento, a ex-adjunta fez um desabafo sobre os efeitos da exposição pública provocada pelas investigações. Segundo ela, a situação se prolonga há anos e acabou atingindo não apenas sua imagem profissional, mas também aspectos de sua vida pessoal.

“Eu estou, de verdade, esgotada”, afirmou.

Caroline também criticou a maneira como a expressão “mulher da SES” foi utilizada em referência a ela em mensagens obtidas durante a Operação Espelho. Para a ex-gestora, o termo foi empregado de maneira depreciativa.

Ela relembrou ainda sua participação em iniciativas desenvolvidas durante a pandemia de Covid-19, citando a implantação do Centro de Triagem como uma das ações das quais participou enquanto estava na Secretaria. Caroline afirmou que sua atuação naquele período esteve concentrada na estruturação dos serviços e no atendimento à população.

As decisões judiciais envolvendo o nome da ex-secretária-adjunta remontam à investigação que ficou conhecida como Operação Espelho. Em dezembro de 2023, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, rejeitou uma denúncia apresentada contra Caroline.

A investigação analisava uma suposta articulação entre empresas para fraudar contratos relacionados à prestação de serviços médicos em unidades hospitalares de Mato Grosso. O Ministério Público apontava, à época, um possível prejuízo de R$ 57,5 milhões.

Na avaliação inicial, o magistrado entendeu que não existiam elementos concretos capazes de indicar que Caroline teria alterado documentos para beneficiar a empresa LB Serviços Médicos.

O Ministério Público tentou posteriormente modificar a acusação e incluiu a possibilidade de enquadramento da ex-gestora por suposta participação em organização criminosa. A nova tentativa também foi rejeitada pela Justiça.

Ao analisar o material apresentado, o magistrado considerou que as menções ao nome de Caroline estavam relacionadas a procedimentos administrativos compatíveis com as atribuições do cargo que ocupava. As referências à Gestão Hospitalar e à expressão “mulher da SES” também foram consideradas insuficientes para demonstrar que ela teria repassado informações ao grupo investigado.

Com as decisões, Caroline não passou a responder como ré naquela ação penal.

O processo acabou sendo encaminhado à Justiça Federal após a identificação de recursos da União entre os valores analisados na investigação. Em março deste ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu pela anulação das provas produzidas enquanto o caso tramitava na Justiça Estadual.

O entendimento do TRF-1 foi de que a presença de recursos federais do Sistema Único de Saúde exigia que a investigação tivesse sido conduzida desde o início pela Justiça Federal. A decisão atingiu os elementos obtidos no curso da Operação Espelho e trouxe consequências para a ação que envolvia médicos e empresários.

A decisão sobre a competência, no entanto, não representa uma declaração definitiva de inocência ou culpa dos investigados. A anulação está relacionada à forma como a investigação foi conduzida e ao juízo considerado competente para analisar o caso.

A CPI instaurada pela Assembleia Legislativa acompanha contratos, despesas e procedimentos administrativos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde entre 2019 e 2025. O depoimento de Caroline faz parte das oitivas realizadas pelos parlamentares para esclarecer os fatos que estão sob investigação.