“FUI HUMILHADA POR SER MULHER”

Aos prantos, empresária quebra silêncio sobre áudio atribuído a Chico Guarnieri

· 4 min de leitura
Aos prantos, empresária quebra silêncio sobre áudio atribuído a Chico Guarnieri
A empresária Luci Vânia Conci e o deputado estadual, Chico Guarnieri - Foto: Reprodução / RepórterMT

Luci Conci relata humilhação e conta o que teria desencadeado ligação; parlamentar contesta gravação

A empresária Luci Vânia Conci, que atua no setor supermercadista em Sapezal, veio a público para apresentar sua versão sobre a gravação de uma conversa telefônica atribuída ao deputado estadual e candidato à reeleição Chico Guarnieri (PSDB). Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela se emocionou ao recordar o episódio e afirmou ter se sentido profundamente humilhada com as palavras dirigidas a ela.

O caso chegou à Justiça e resultou na concessão de medidas protetivas em favor da empresária. As ligações, ocorridas no início de setembro, foram gravadas e posteriormente apresentadas no processo.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

Segundo Luci, o episódio teve início a partir de uma conversa que sequer envolvia diretamente Guarnieri. Ela conta que havia procurado um vereador conhecido da família para pedir apoio político a outro candidato. O vereador, que anteriormente teria prestado serviços à empresa dela e contado com apoio de seus familiares durante uma campanha, respondeu que já havia assumido compromisso com Guarnieri.

Para Luci, o assunto havia terminado naquele momento. Ela afirma que não conhecia pessoalmente o deputado e nega ter feito qualquer comentário ofensivo ou campanha contra ele.

“Eu nunca falei mal dele e eu nunca vi esse candidato e eu não conheço esse candidato”, declarou.

0:00
/2:17

Vídeo: RepórterMT

Dias depois, na noite de 1º de setembro, a empresária afirma ter recebido uma chamada de um número que não reconhecia. A primeira ligação teria durado aproximadamente dois minutos e foi encerrada por ela. Pouco tempo depois, uma nova chamada foi feita.

Foi durante esse segundo contato, de cerca de quatro minutos, que, segundo Luci, começaram as acusações e ofensas.

Ao relembrar a conversa em vídeo, a empresária chorou e afirmou que nunca havia sido tratada daquela maneira.

“Eu nunca me senti tão humilhada na minha vida. Porque nem meu pai, nem meu ex-marido, ninguém fez isso comigo. Falar o que o Chico falou pra mim”, disse.

Uma das acusações feitas durante a ligação seria de que Luci estaria mobilizando funcionários de sua empresa contra o parlamentar. Ela nega a versão. Segundo a empresária, houve apenas uma conversa com um funcionário que conhecia Guarnieri desde o período em que ele atuava politicamente em Barra do Bugres.

Luci também reagiu às acusações relacionadas à sua conduta pessoal e profissional. No vídeo, contou que começou a trabalhar ainda criança e afirmou que tudo o que conquistou foi resultado do próprio trabalho.

“Eu saí de casa com sete anos de idade pra trabalhar. Tudo que eu tenho hoje, eu conquistei com o meu trabalho, com o meu suor. E nunca tirei nada de ninguém”, declarou.

A empresária ressaltou ainda a dimensão de seu empreendimento em Sapezal. Conforme relatou, mais de 300 trabalhadores estão empregados no estabelecimento.

“São 300 famílias que trabalham comigo, que tiram sustento de dentro do meu estabelecimento”, afirmou.

Outro ponto abordado por Luci foi a repercussão da gravação nas redes sociais. Ela demonstrou indignação com comentários que colocaram em dúvida a autenticidade do áudio e mencionaram a possibilidade de o material ter sido produzido com inteligência artificial.

Na avaliação da empresária, parte das ofensas também teve caráter relacionado ao gênero. Luci disse acreditar que não teria recebido o mesmo tratamento caso fosse homem.

“Me humilhar, me diminuir, justamente por eu ser uma mulher. Se fosse um homem, ele nunca faria isso”, declarou.

No encerramento do vídeo, ela afirmou que buscou as providências legais cabíveis e manifestou expectativa de que outras mulheres não enfrentem situações semelhantes.

O caso foi levado à 1ª Vara de Sapezal. Em decisão proferida em 8 de setembro, o juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães concedeu medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha.

Inicialmente, a decisão estabeleceu uma distância mínima de 100 metros entre Guarnieri e a empresária, seus familiares e testemunhas. Também foram impostas restrições de contato por telefone, aplicativos, redes sociais ou outros meios, além de limitações relacionadas à presença do parlamentar em locais frequentados por Luci.

Na análise do pedido, o magistrado levou em consideração as gravações e outros elementos apresentados no processo. Embora a divergência tenha surgido em um contexto político, a decisão apontou que o teor das manifestações relatadas ultrapassava esse campo e apresentava referências relacionadas à condição feminina e à sexualidade da empresária.

No áudio divulgado sobre o episódio, a voz atribuída a Guarnieri profere uma sequência de insultos contra Luci. Em determinado momento, após ser questionado pela empresária se estaria fazendo uma ameaça, o interlocutor responde afirmativamente.

O parlamentar, por outro lado, contestou publicamente a atribuição da gravação. Guarnieri afirmou não reconhecer a voz como sendo sua, classificou o episódio como “fake news” e levantou a possibilidade de manipulação ou edição do conteúdo.

Posteriormente, a defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Parte das restrições inicialmente impostas foi suspensa enquanto o recurso é analisado, permanecendo a proibição de contato com a empresária e seus familiares.

Chico Guarnieri chegou à Assembleia Legislativa de Mato Grosso após a renúncia de Cláudio Ferreira (PL), que deixou o Legislativo depois de ser eleito prefeito de Rondonópolis. Antes filiado ao PRD, Guarnieri ingressou no PSDB durante a janela partidária e disputa a reeleição neste ano.