Defesa afirma que recurso contra pronúncia ainda não foi julgado e questiona demora no processo
A defesa de Julinere Goulart Bentos recorreu novamente ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para tentar interromper a prisão preventiva da empresária, que está detida desde maio de 2025 sob acusação de participação no planejamento da morte do advogado Renato Gomes Nery. O novo habeas corpus sustenta que a demora na análise de um recurso mantém a ré presa por período considerado excessivo pelos advogados.
A petição foi protocolada na última terça-feira (15) e pede que a prisão seja revogada. Caso o pedido não seja acolhido, a defesa solicita que a medida seja substituída por outras cautelares previstas na legislação.
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Um dos principais argumentos apresentados é a tramitação do recurso contra a decisão que levou Julinere a julgamento pelo Tribunal do Júri. Segundo os advogados, a defesa apresentou o recurso em maio deste ano, mas o processo passou por novas movimentações antes de chegar novamente ao TJMT, onde ainda não houve julgamento definitivo. Os autos retornaram à segunda instância em 26 de agosto.
A defesa também questiona o fato de o processo ter sido convertido em diligência depois que as filhas de Renato Nery solicitaram habilitação como assistentes de acusação. Na avaliação dos advogados, essas movimentações contribuíram para prolongar a análise do recurso sem que a ré tivesse dado causa à demora.
O pedido acrescenta um argumento de ordem familiar. A defesa afirma que a filha de Julinere, de 17 anos, apresentou agravamento em seu quadro emocional durante o período em que a mãe permanece presa. Documentos médicos anexados ao processo apontariam alterações no sono e no apetite, dificuldades escolares e isolamento social.
Ainda conforme a petição, a adolescente já fazia acompanhamento psicológico antes da prisão da mãe e chegou a ser internada por um dia em maio deste ano, quando recebeu diagnóstico relacionado a quadro ansioso e depressivo. A defesa usa a situação para sustentar que a manutenção da prisão produz consequências que ultrapassariam a própria ré.
Julinere foi pronunciada em maio de 2026, o que significa que a Justiça decidiu que existem elementos suficientes para que ela seja submetida ao Tribunal do Júri. Em julho, a primeira instância manteve a prisão preventiva e rejeitou a substituição por medidas cautelares.
A empresária responde ao processo ao lado de César Jorge Sechi e de quatro outros réus. Segundo a acusação, o casal estaria ligado ao planejamento do assassinato de Renato Nery, morto a tiros em julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. As acusações ainda serão submetidas ao julgamento do Tribunal do Júri.
A investigação aponta que o homicídio estaria relacionado a uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim. De acordo com a acusação, intermediários e executores teriam sido mobilizados para realizar o crime, com movimentação financeira superior a R$ 200 mil.
O homem apontado como executor dos disparos, Alex Roberto de Queiroz Silva, foi julgado em julho deste ano e condenado a 33 anos de prisão. Os demais acusados, incluindo Julinere, permanecem sujeitos ao andamento das respectivas ações penais.
Agora, caberá ao TJMT analisar o novo habeas corpus apresentado pela defesa da empresária.