O gestor também criticou a atuação da Justiça Eleitoral e comparou o tratamento que, segundo ele, seria dado caso a medida tivesse sido adotada por Jair Bolsonaro
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), colocou em dúvida o momento escolhido pelo governo federal para reajustar o Bolsa Família e associou a medida ao calendário eleitoral. O novo valor do benefício foi oficializado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (17), a poucos dias do primeiro turno das eleições.
Pelo decreto publicado pelo governo, o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691. O reajuste de 15,04% também eleva o valor médio estimado pago pelo programa, que deverá subir de R$ 675 para R$ 777. A correção foi calculada com base no INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026.
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Os valores atualizados serão incorporados à folha de outubro, com os pagamentos previstos para começar no dia 19. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
Ao comentar a decisão, Abilio afirmou que considera o aumento insuficiente e questionou o caráter da medida por ter sido anunciada durante o período eleitoral. Segundo ele, se o objetivo fosse realmente ampliar a renda das famílias, o benefício deveria ter um reajuste maior.
“Já que é uma questão eleitoreira, pelo menos fizesse bem feito. O cara fazer uma questão eleitoreira, à véspera da eleição, aumentar 91 reais. Isso é muito pouco. Já que vai tentar comprar o voto do eleitor, com o aumento do Bolsa Família à véspera da eleição, pelo menos que aumente para R$ 850”, declarou.
O prefeito prosseguiu dizendo que os R$ 91 adicionais não seriam suficientes para cobrir despesas básicas. “91 reais não dá para comprar uma cesta básica, não dá para comprar um sacolão. Então, já que vai aumentar à véspera da eleição, pelo menos faz serviço bem feito”, afirmou.
A declaração também foi acompanhada de críticas à Justiça Eleitoral. Abilio questionou se a reação das autoridades seria a mesma caso uma medida semelhante tivesse sido adotada durante um eventual governo de Jair Bolsonaro.
“Infelizmente, para eles pode. A Justiça Eleitoral não faz nada. Se fosse o Bolsonaro fazendo isso, Bolsonaro já tinha a eleição dele anulada”, disse.
Além do reajuste, Abilio defendeu uma alteração nas regras do programa social. A proposta apresentada pelo prefeito é permitir que beneficiários que consigam emprego continuem recebendo o Bolsa Família, evitando que a entrada no mercado de trabalho resulte na perda imediata do benefício.
“Aproveita e já altera o Bolsa Família, para que a pessoa que quer trabalhar não perca. (...) A pessoa que vai trabalhar continua tendo o direito do Bolsa Família. Aumenta o Bolsa Família de 600 para 850 e dá dignidade para as pessoas”, de