Eleitores recebem mensagens com pedidos de apoio e uma espécie de “currículo” dos candidatos
Com apenas uma semana para as eleições de 2026, a campanha eleitoral entra em uma fase ainda mais direta em Mato Grosso e no restante do país. Além das agendas de rua, propagandas nas redes sociais e aparições públicas, apoiadores e pessoas que trabalham nas campanhas têm intensificado uma estratégia conhecida dos eleitores: o pedido de voto enviado diretamente pelo celular.
As abordagens chegam principalmente por aplicativos de mensagens e, em alguns casos, vão além de uma simples indicação de número ou nome. Cabos eleitorais aproveitam o contato para apresentar uma espécie de “minicurrículo” do candidato, destacando trajetória profissional, atuação política, projetos, bandeiras defendidas e motivos pelos quais consideram que ele merece o voto.
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Uma mensagem recebida por um eleitor e obtida pela reportagem exemplifica esse tipo de abordagem. No áudio, o remetente inicia o contato de maneira pessoal, pede apoio para um candidato e, em seguida, apresenta informações sobre sua trajetória e atuação.
Durante a gravação, são mencionadas características profissionais do candidato, experiências anteriores e ações atribuídas a ele. O apoiador também reforça a confiança no nome apresentado e encerra o contato pedindo o voto do destinatário.
A reportagem optou por preservar tanto a identidade da pessoa que encaminhou o áudio quanto o nome e o número do candidato, já que o objetivo é demonstrar como esse tipo de mobilização vem sendo realizado nesta reta final, e não promover uma candidatura específica.
O formato transforma o tradicional corpo a corpo eleitoral em uma abordagem digital. Em vez da conversa na porta de casa, da entrega de santinhos ou do pedido feito durante reuniões e eventos, o celular permite que integrantes das campanhas cheguem diretamente ao eleitor, inclusive por meio de áudios personalizados.
A estratégia também permite apresentar mais informações do que caberiam em um simples material de campanha. Em poucos segundos, o remetente pode pedir o voto, apresentar credenciais do candidato e tentar estabelecer uma relação de confiança com quem recebe a mensagem.
A movimentação ocorre justamente no momento em que as campanhas concentram esforços para conquistar eleitores ainda indecisos e reforçar o nome e o número dos candidatos entre aqueles que já demonstraram alguma simpatia.
A propaganda eleitoral na internet está autorizada desde 16 de agosto e pode ocorrer, entre outros meios, por redes sociais e aplicativos de mensagens, desde que sejam observadas as regras estabelecidas pela legislação eleitoral. O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconhece a possibilidade de eleitores realizarem, com moderação, propaganda em favor das candidaturas de sua preferência.
Em Mato Grosso, a fiscalização da propaganda eleitoral na internet está sob responsabilidade do juízo designado pela Justiça Eleitoral. Eventuais irregularidades também podem ser denunciadas por meio do Pardal, ferramenta disponibilizada pelo TSE para receber relatos relacionados à propaganda eleitoral irregular.
Com a proximidade da votação, a tendência é que pedidos de apoio, compartilhamento de materiais e mensagens apresentando candidatos ganhem ainda mais espaço nos celulares dos eleitores até o encerramento do período permitido para a propaganda eleitoral, que é no próximo dia 02 de outubro.