CENA ALTERADA

Vídeo mostra policiais entrando em apartamento após morte da PM Gisele

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Vídeo mostra policiais entrando em apartamento após morte da PM Gisele

Imagens de câmeras de segurança registraram a entrada de três policiais militares no apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana morreu com um tiro na cabeça, no bairro do Brás, região central de São Paulo. A gravação também mostra a saída das agentes do local, acompanhadas por uma funcionária do condomínio.

Segundo depoimento de uma testemunha à Polícia Civil, as policiais teriam ido ao imóvel cerca de 10 horas após a ocorrência para realizar a limpeza. No apartamento, a vítima morava com o marido, o tenente-coronel da PM, apontado como principal suspeito do caso.

De acordo com o relato, as agentes chegaram ao prédio às 17h48 do mesmo dia da morte e permaneceram no local por aproximadamente 50 minutos. As imagens não indicam a retirada ou entrada de objetos durante a ação.

A atuação das policiais passou a integrar a investigação, que apura possíveis alterações na cena. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita após inconsistências apontadas por perícias e depoimentos.

As três agentes — uma soldado e duas cabos — devem ser ouvidas nos próximos dias para esclarecer a atuação no imóvel e as circunstâncias da limpeza.

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"Questão de humanidade"

Em nota, a Polícia Militar de São Paulo afirmou que não houve desvio de função na atuação das três agentes. Segundo a corporação, a limpeza ocorreu após a liberação do local e foi motivada por “questão de humanidade”.

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O corregedor da PM, Alex dos Reis Asaka, declarou que, inicialmente, o caso era tratado como suicídio e não havia impedimento legal para a entrada no imóvel. Ele afirmou ainda que a ação não teve como objetivo ocultar provas, mas evitar que familiares da vítima precisassem lidar com a limpeza do local em meio ao luto.

Prisão e acusação

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso na quarta-feira (18) em um condomínio residencial em São José dos Campos, no interior paulista. O mandado foi cumprido pela Corregedoria da Polícia Militar, com apoio de policiais civis.

O inquérito aponta que o oficial pode ter cometido feminicídio e fraude processual. A investigação identificou contradições no relato apresentado e indícios de alteração da cena do crime, o que levou ao pedido de prisão preventiva.

Inicialmente tratado como suicídio, o caso teve a hipótese descartada pela Polícia Civil, que passou a enquadrar a morte como feminicídio.

A prisão preventiva foi decretada pela Justiça após solicitação dos investigadores, e o militar segue à disposição do Judiciário.