VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Vereadora rebate laudo e critica uso de “insanidade” em feminicídios

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Vereadora rebate laudo e critica uso de “insanidade” em feminicídios

A vereadora Samantha Íris (PL) criticou publicamente o uso de laudos de insanidade como argumento de defesa em casos de violência contra mulheres. A declaração foi feita após a Politec concluir que o engenheiro agrônomo Daniel Frasson é inimputável pelo assassinato da esposa, Gleici Oliboni, e pela tentativa de homicídio da filha de 7 anos, em Lucas do Rio Verde.

Segundo Samantha, há um padrão repetido nos casos recentes de feminicídio.
“É muito estranho que quase todos os homens que matam mulheres aleguem algum problema de saúde mental. Isso soa como desculpa esfarrapada”, afirmou. Ela ressaltou que, embora não seja especialista em saúde mental, as mulheres são mais vulneráveis a quadros depressivos e nem por isso protagonizam crimes semelhantes.

O laudo entregue à Justiça apontou que Frasson sofre de psicose não orgânica e transtorno afetivo bipolar em fase aguda, concluindo que ele estaria incapaz de compreender o caráter ilícito dos atos no momento do crime — condição que o torna inimputável.

A família de Gleici contesta a avaliação. O advogado Rodrigo Pouso Miranda acusa o documento de ser “parcial e tendencioso” e pediu uma nova perícia colegiada, alegando falta de diagnóstico definitivo e ausência de comprovação de surto no instante da agressão.

A filha mais velha da vítima também se pronunciou, chamando de “insulto” o uso da saúde mental como justificativa para um crime “tão cruel”.

A criança atacada pelo pai ficou 22 dias internada em estado grave e continua em acompanhamento psicológico e neurológico.