Imagens da chamada “Lua colorida” têm tomado conta das redes sociais e despertado curiosidade ao mostrar o satélite natural da Terra com tons vibrantes que fogem do tradicional cinza.
Apesar de muitas publicações associarem os registros à missão Artemis II, a informação não é correta. As imagens que viralizaram não foram divulgadas pela Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa).
Elas são de autoria do fotógrafo ucraniano Ibatullin Ildar, especialista em registrar a Lua de forma inesperada, publicada em agosto de 2025. Ele explicou no Instagram que "aumentou intencionalmente a saturação da Lua", usando o programa de edição Adobe Photoshop. A saturação se refere à intensidade da cor de uma foto.
"Durante o processamento, aumentei intencionalmente a saturação da Lua para revelar a composição mineral de sua superfície. Os tons marrom-avermelhados indicam óxido de ferro, enquanto os tons azulados representam óxido de titânio", escreveu ele no Instagram.
Mesmo assim, as imagens têm base científica. O aumento da saturação permite destacar a composição mineral da Lua: áreas azuladas indicam maior presença de titânio, enquanto tons alaranjados e avermelhados estão ligados a regiões ricas em ferro.
A olho nu, porém, a Lua continua sendo predominantemente cinza. As cores visíveis nas imagens são resultado de técnicas utilizadas há décadas por cientistas para mapear e entender melhor a formação do satélite.
De acordo com a Nasa, esse processamento da fotografia mostra aspectos minerais da superfície lunar. "O processamento em falsa-cor utilizado para criar esta imagem lunar é útil para interpretar a composição do solo superficial", explica a agência.
"Áreas que aparecem em vermelho geralmente correspondem às terras altas lunares, enquanto tons de azul a laranja indicam o antigo fluxo de lava vulcânica de um mar lunar. As áreas de mares mais azuladas contêm mais titânio do que as regiões alaranjadas".
O fenômeno mostra que, mesmo após séculos de observação, a Lua ainda guarda detalhes pouco percebidos, e que a tecnologia continua revelando novas formas de enxergar o nosso vizinho mais próximo no espaço.