O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou nesta terça-feira (23) que a venda do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá não será suficiente para quitar as dívidas trabalhistas acumuladas em aproximadamente R$ 300 milhões em dívidas pela instituição. Segundo ele, mesmo com o leilão em andamento, será necessária uma renegociação para garantir o pagamento dos valores devidos aos servidores.
“Talvez não dê para pagar, porque há uns R$ 300 milhões em dívidas. Não tem jeito, não vai ser com a venda do imóvel que vai se conseguir pagar os servidores. Terá que haver uma renegociação”, destacou Sérgio Ricardo.
O imóvel foi inicialmente avaliado em R$ 54,7 milhões, mas, diante da falta de interessados, o valor caiu para R$ 39,1 milhões. Ainda assim, a expectativa é de que a Santa Casa seja arrematada por valores entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, possivelmente pela Prefeitura de Cuiabá ou pelo Governo do Estado.
"Então é o seguinte, a Santa Casa não vale, ela dá para pagar R$20, R$25 milhões, ela não vale mais que isso, ela está numa região desvalorizada, só o que vai funcionar ali é a Santa Casa", declarou o conselheiro.
Para o presidente do TCE, o hospital, que está sob intervenção judicial e administração do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), é essencial para a região central da capital e não corre risco de ser fechado. Atualmente, os recursos provenientes do aluguel pago pelo Estado são utilizados pelo TRT para quitar parte das dívidas trabalhistas, estimadas em cerca de R$ 48 milhões.
O prédio passou pela primeira etapa do leilão, como parte do processo legal, mas não recebeu propostas. O próximo passo será definir a forma de negociação para viabilizar a venda e iniciar um novo plano para o pagamento dos débitos.