A sessão desta terça-feira (8) na Câmara Municipal de Cuiabá mais pareceu um espetáculo de baixarias do que um debate político. Dois episódios distintos, mas igualmente ácidos, marcaram o dia: o palavrão da vereadora Baixinha Giraldelli (SD) e a troca de insultos entre Chico 2000 (PL) e Tenente-Coronel Dias (Cidadania).
O estopim para a confusão foi a votação relâmpago do projeto que cria a nova Secretaria de Planejamento Estratégico, proposta pelo prefeito Abilio Brunini (PL). O projeto foi aprovado em regime de urgência e sem qualquer debate substancial, o que gerou críticas da oposição, liderada por Jeferson Siqueira (PSD) e Dídimo Vovô (PSB), que afirmaram que a medida apenas “incha” a máquina pública e aumenta gastos desnecessários.
O primeiro incidente da sessão ocorreu quando a presidente da Câmara, vereadora Paula Calil (PL), precisou interromper os trabalhos por cinco minutos depois que a palavra “putaria” ecoou pelos microfones do plenário. A expressão partiu da vereadora Baixinha Giraldelli (SD), que perdeu a paciência em meio a um debate e acabou direcionando o comentário à postura dos colegas.
O clima esquentou quando o vereador Tenente-Coronel Dias (Cidadania) tentou rebater as críticas, mas o fez fora do tempo regimental.
Nesse contexto, ainda mais irritada com o tumulto e as discussões constantes, Baixinha voltou a disparar:
“Presidente, por favor, se não foi gravado, por que fica com essa putaria aqui, brigando 24 horas?”
A primeira-secretária da Mesa Diretora, vereadora Katiuscia Mantelli (PSB), sentiu-se ofendida com a fala e reagiu com indignação.
A situação escalou ainda mais quando Chico 2000 interrompeu Katiuscia Mantelli, quando tentava explicar o ocorrido a Dias, e chamou o colega de “bosta”:
“Você é um bosta! Encerrou a conversa, rapaz, os caras olharam [a gravação] e você ainda vem com conversa aqui”, disparou o vereador do PL.
Dias, mantendo a calma, exigiu explicações sobre o xingamento e perguntou se Chico queria agredi-lo:
“Por que eu que sou um bosta? Você quer bater em mim?”
Chico respondeu de forma direta: “Vamos lá fora”.
A confusão só não evoluiu para agressão graças à intervenção de Katiuscia Mantelli, que tentou conter os ânimos.
Entre gritos, xingamentos e microfones travados, a Câmara de Cuiabá voltou a provar que a política tem se transformado em um espetáculo de baixarias, bem distante de seu propósito como espaço de debate legislativo.