Fabrício da Silva Lima, preso em flagrante por integrar o grupo que assaltou a agência do banco Sicredi na última quinta-feira (31), em Brasnorte (MT), alegou durante audiência de custódia que foi brutalmente torturado por policiais civis da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
“Aqui meu hematoma. Estou desde ontem sem conseguir comer. Ficaram duas horas afogando, jogando água, pisaram no meu estômago, em dois pisava. Perguntou se eu tinha filho, falei que tinha um de 11 anos e falou pra mim: ou você fala onde está o dinheiro ou a gente vai partir para sua família", denunciou Fabrício durante a audiência de custódia.
Segundo o réu, após se render, foi levado a uma fazenda isolada, onde teria sido agredido com socos, chutes e submetido a afogamento, com o objetivo de forçá-lo a revelar o paradeiro dos R$ 400 mil roubados e a identidade dos demais integrantes da quadrilha. Ele apresentou hematomas no corpo como supostas evidências das agressões.
Apesar das alegações, o juiz Laio Portes Sthel decidiu manter a prisão preventiva de Fabrício. Na decisão, o magistrado considerou a gravidade dos crimes, que incluem roubo majorado, sequestro e associação criminosa armada, e o risco que o acusado representa à ordem pública. A participação direta do suspeito na ocultação da caminhonete Hilux usada na fuga também foi mencionada como fator determinante.
"Novo Vangaço"
Após espalharem pânico durante o assalto ao banco Sicredi, os suspeitos fugiram em uma caminhonete levando dois reféns e cerca de R$ 400 mil, em direção ao município de Juína, no Mato Grosso. No trajeto, libertaram as vítimas e retornaram para Brasnorte, seguindo posteriormente para Vilhena, em Rondônia. A Polícia conseguiu rastrear os criminosos até um hotel na cidade.
No entanto, um dos recepcionistas, que estaria em conluio com o grupo, alertou os suspeitos sobre a chegada das autoridades, permitindo que eles escapassem e se escondessem em uma casa.
Durante diligências, as forças de segurança localizaram o imóvel onde os suspeitos estavam escondidos. No local, seis homens foram presos: dois teriam participado diretamente do assalto, dois atuaram no apoio logístico, além do recepcionista do hotel e seu irmão, que ajudaram na fuga do grupo.
Até o momento, a Polícia Civil de Mato Grosso não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias de tortura feitas pelo suspeito.