O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em despacho publicado nesta quinta-feira (13) que a Polícia Federal já apura a possível participação de uma autoridade com foro privilegiado no esquema investigado pela Operação Sisamnes, que apura a suposta venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ). É a primeira vez que Zanin admite formalmente a existência dessa linha de investigação.
A manifestação foi dada após pedidos das defesas de investigados, que queriam o envio do caso para a primeira instância sob o argumento de que não haveria autoridades com prerrogativa de foro envolvidas. Zanin rejeitou os pedidos e disse que há um procedimento sigiloso separado do inquérito principal.
“A investigação apura, em procedimento específico, potencial participação de autoridade com prerrogativa de foro neste Supremo Tribunal Federal”, escreveu o ministro.
Relatórios anteriores da Polícia Federal já haviam apontado indícios envolvendo familiares de ministros do STJ, como diálogos da advogada Catarina Buzzi, filha do ministro Marco Buzzi, e pagamentos à advogada Anna Carolina Noronha, filha do ministro João Otávio de Noronha. Zanin não detalhou se a apuração sigilosa trata desses fatos ou de outros elementos ainda não divulgados.
A investigação tem provocado desconforto nos bastidores do STJ. Ministros relatam preocupação com a falta de acesso aos autos e com a sensibilidade do caso, que segue em andamento enquanto a PF aprofunda diligências para identificar eventuais interferências ilegais em decisões judiciais.