A sessão plenária do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), realizada na manhã de quinta-feira (28), terminou em constrangimento e expôs a profundidade de uma crise interna no Judiciário estadual. Apenas quatro magistrados compareceram — o presidente da Corte, desembargador José Zuquim Nogueira, e os desembargadores Juvenal Pereira da Silva, Maria Erotides Kneip e Nilza Maria — número insuficiente para dar andamento aos julgamentos previstos em uma extensa pauta processual.
O esvaziamento levou o presidente a comunicar formalmente o episódio ao ministro Mauro Campbell Marques, corregedor nacional de Justiça, para que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) avalie a conduta dos ausentes. Zuquim fez questão de frisar que não se trata de retaliação, mas de medida necessária para preservar a imagem institucional do Tribunal.
Nos bastidores, a ausência coletiva foi interpretada como reação de parte do colegiado a decisões administrativas da atual gestão e a promessas não cumpridas. A atitude gerou mal-estar entre os presentes e levantou questionamentos sobre o cumprimento dos deveres funcionais por parte dos desembargadores.
Especialistas apontam que a falta reiterada em sessões colegiadas compromete não apenas a celeridade processual, mas também o princípio da eficiência administrativa previsto na Constituição. O caso agora dependerá da análise do CNJ, que poderá abrir procedimento disciplinar caso não haja justificativas plausíveis para as ausências.
Ao acionar a instância nacional, o presidente do TJMT ampliou o alcance da disputa, que antes se limitava às tensões internas da Corte. Até a manifestação do Conselho, os processos que aguardavam julgamento permanecem suspensos, reforçando a dimensão prática e simbólica do impasse.