Começou nesta quinta-feira (18), o primeiro dia do julgamento de Wendel dos Santos Silva, acusado de matar a noiva Leidiane Ferro da Silva em abril de 2024, em Peixoto de Azevedo, Mato Grosso. Durante cerca de 45 minutos de depoimento ao Tribunal do Júri, o réu tentou transferir a responsabilidade pelo crime à vítima, ele alegou que Leidiane o humilhava e praticava violência psicológica contra ele ao longo dos cinco anos de relacionamento.
As declarações foram contestadas pela promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes, que lembrou que Wendel já havia agredido Leidiane anteriormente e possuía histórico de processos por violência doméstica contra outras mulheres. Ela também questionou por que, se se sentia tão ofendido, o réu não teria encerrado o relacionamento antes de assassiná-la.
"O senhor só narrou fatos contrários à vítima, que não está mais aqui apra se defender. Por que o senhor não deu fim a esse relacionamento? Porque o senhor matou ela? Se ela fez tanta coisa com o senhor, te humilhou tanto, porque ficou 5 anos com a vitima até matá-las a facadas? Porque o senhor não tomou iniciativa para terminar esse relacionamento que o senhor tanto sofria?", disse.
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Durante seu depoimento, Wendel revelou que conheceu a vítima há cinco anos e que, quando começaram a se relacionar, não tinha boas condições financeiras. Após um certo tempo, a vítima o teria humilhado em decorrência disso.
"Ela me rebaixava porque eu não tinha condições boas financeiras. Mas nunca fui vagabundo, trabalho desde os 12 anos", disse.
"Quando brigamos, ela disse que não tinha condições de ficar com um homem que só paga um talão de luz e água, pois ela arrumava coisa melhor. E eu saí da casa dela", emendou.
Após cometer o crime, segundo a acusação, Wendel publicou nas redes sociais mensagens em que ofendia Leidiane e criticava a Lei Maria da Penha. O conteúdo foi lido em plenário pela promotora de Justiça e confirmado pelo próprio réu como de sua autoria.
Na publicação, ele reclamava de suposta proteção às mulheres e atacava a vítima com xingamentos, além de afirmar que seria preso ou morto após o crime.
"Essa maldita lei que defende as mulheres para ficar humilhando os homens. As vagabundas traem e o homem tem que ficar calado, porque se fala alto com elas, elas mandam prender. Pois agora vocês vão me prender morto, lei desgraçada. Essa vagabunda que eu fazia tudo por ela, e ainda vinha e [me] chamava de doente, porque eu só pedia para ela não pisar na bola comigo", apresentou a promotora.
De acordo com o processo, a motivação para o crime teria sido uma discussão em torno da aliança de noivado. Wendel afirmou que pediu o objeto de volta, mas Leidiane se recusou a entregá-lo, dizendo que havia sido comprado com seu cartão de crédito, embora ele alegasse ter ajudado a pagar.
"Eu pedi a aliança e ela se recusou. Disse que do mesmo jeito que ele poderia usar o anel com quem ele quisesse ela também poderia. (...) Eu só lembro que peguei a faca e nada mais", declarou.
Apesar de declarar em juízo que nunca havia agredido a noiva, o processo aponta que meses antes do feminicídio ele já havia aplicado um golpe de “mata-leão” em Leidiane e a ameaçado com uma faca durante uma briga do casal. Além disso, Wendel tem histórico de violência doméstica e já foi denunciado por uma ex-companheira.
O crime
O feminicídio ocorreu em 15 de abril de 2024, em Peixoto de Azevedo (MT), e foi registrado por câmeras de segurança instaladas na residência da vítima. As imagens mostram o momento em que Wendel dos Santos Silva ataca a noiva, Leidiane Ferro da Silva, a golpes de faca, na presença do filho dela e a filha dele.
Na gravação, o casal aparece conversando na cozinha. Pouco depois, Wendel deixa o cômodo, retorna em seguida, pega uma faca e desfere os golpes contra Leidiane.
Vídeo do dia do crime
Segundo as investigações, a vítima já sofria violência doméstica e, no dia do crime, havia pedido à enteada que convencesse o pai a deixar sua casa, devido às constantes brigas. A jovem foi até o local, mas o réu se recusou a ir embora. Minutos depois, discutiu com a noiva e a atacou brutalmente. Após o crime, ele fugiu.
Ainda de acordo com a apuração, a mesma câmera já havia registrado, dois meses antes, uma agressão anterior: Wendel aplicou um golpe de mata-leão em Leidiane, que chegou a desmaiar.
O julgamento é presidido pelo juiz João Zibordi Lara, da Segunda Vara Criminal de Peixoto de Azevedo, e deve se estender ao longo do dia.