Teve início na manhã desta quinta-feira (7), no Plenário do Fórum da Comarca de Sorriso, o julgamento do réu Gilberto Rodrigues dos Anjos, acusado de cometer os crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio, contra Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e suas três filhas - Miliane, de 19 anos, Manuela, de 12 anos, e Melissa, de 10 anos, após cometer estupros e feminicídio. O crime ocorreu na noite de 24 de novembro de 2024.
Durante o julgamento, o delegado da Polícia Civil Bruno França, responsável pela investigação, prestou um depoimento com informações técnicas de como a equipe chegou a conclusão da autoria do crime e as características da materialidade de como o crime foi cometido. Segundo ele, o réu confessou os crimes com frieza e alegou que estava sob efeito de drogas no momento do ataque.

“O delegado Bruno França conta que perguntou a Gilberto por que ele cometeu aqueles crimes. A resposta do réu foi de que “estava drogado”, diz resumo do TJMT.
De acordo com a investigação, Gilberto observava a rotina da família e aproveitou o momento em que todas estavam dormindo para invadir a casa, entrando pela janela do banheiro. Ele esfaqueou três das vítimas, abusou sexualmente da mãe e de duas das filhas enquanto ainda agonizavam, e asfixiou a caçula. A cena encontrada pelos policiais foi descrita como "chocante".
Durante a fase de inquérito, foi encontrada uma calcinha de uma das vítimas entre os pertences do suspeito, que teria guardado como “lembrança”. Gilberto foi preso após a polícia identificar uma marca de chinelo em sangue na cena do crime, compatível com o calçado encontrado em sua posse. Questionado inicialmente sobre o caso, demonstrou nervosismo e apresentou versões contraditórias. Posteriormente, confessou o crime em detalhes.
"O motivo determinante para a decisão de prendê-lo em flagrante foi a informação de que o chinelo dele era perfeitamente compatível com uma pegada deixada em uma poça de sangue de uma das vítimas", declarou o delegado.
Segundo o delegado, houve a recomendação para que o acusado não fosse retirado algemado do local onde foi detido, pois havia risco de linchamento por parte da população.
"A autoridade policial então pediu uma algema para prendê-lo, mas que foi aconselhado a não retirá-lo dali algemado, pois seria linchado pela população.”
Além das provas materiais e da confissão, a polícia descobriu que Gilberto já era foragido da Justiça, com dois mandados de prisão em aberto: um por crime sexual em Lucas do Rio Verde (MT) e outro por latrocínio em Mineiros (GO). A polícia o localizou dormindo numa obra próxima à casa das vítimas, de onde tinha vista privilegiada da residência.
“O delegado então se dirigiu até Gilberto para prendê-lo. Nesse momento, os investigadores lhe informaram sobre o histórico de crimes de Gilberto. ‘A gente já tinha certeza de que ele era o autor e agora a gente sabia que era um criminoso em série’, disse.
O caso causou comoção em Sorriso e ganhou repercussão nacional. O julgamento deve se estender por mais de um dia, dado o volume de provas e testemunhos previstos.
A expectativa é de que o júri popular condene o réu à pena máxima pelos crimes cometidos com extrema violência e crueldade.