CÂMARA NÃO ENGOLIU A VERSÃO

Preso por tráfico, vereador do PL tem faltas derrubadas e entra na rota da cassação em MT

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Preso por tráfico, vereador do PL tem faltas derrubadas e entra na rota da cassação em MT

A Câmara Municipal de Curvelândia endureceu o tom e rejeitou o pedido da defesa do vereador Roberto Serenini (PL) para justificar oito faltas consecutivas às sessões legislativas. Preso na Operação Infirmus, da Polícia Civil, sob suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas, o parlamentar agora fica oficialmente mais próximo de perder o mandato.

Serenini, que também comandava a Secretaria Municipal de Saúde, é apontado como integrante de um esquema que teria usado um micro-ônibus oficial da pasta para transportar 52 quilos de cocaína até Cuiabá. A carga foi interceptada em 18 de agosto, no Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, após denúncia anônima.

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Segundo a Polícia Civil, a droga estava escondida em caixas de supermercado no compartimento de bagagens do veículo, que levava pacientes para atendimento médico na Capital. Embora motorista e passageiros tenham sido liberados, a investigação avançou diretamente sobre o então secretário.

As apurações indicam que Serenini teria mandado trocar o micro-ônibus um dia antes da viagem e apagado imagens do sistema de segurança da Unidade Básica de Saúde onde o veículo estava estacionado. Uma perícia preliminar confirmou a supressão de parte das gravações, reforçando as suspeitas.

Depois da prisão, Serenini foi exonerado da Secretaria de Saúde e retornou automaticamente à Câmara. Desde então, acumulou oito ausências em sessões ordinárias. Na tentativa de escapar das sanções regimentais, a defesa apresentou um pedido para validar retroativamente as faltas.

A Mesa Diretora, amparada por parecer jurídico, rechaçou a solicitação. A decisão, assinada pelo presidente da Câmara, vereador Elias dos Santos, deixou claro que o regimento interno só aceita justificativas em hipóteses específicas, como licença formal, doença comprovada ou afastamento legal previamente autorizado.

O despacho afirma que o pedido se baseia em “alegações genéricas, sem qualquer respaldo legal ou regimental” e alerta que aceitá-lo representaria violação direta aos princípios da legalidade, isonomia e moralidade administrativa, além de abrir um precedente incompatível com o mandato eletivo.

Com a negativa, Roberto Serenini passa a enfrentar um cenário político cada vez mais desfavorável. A Câmara ainda não informou se irá instalar uma Comissão Processante, mas o caminho para a cassação do mandato está oficialmente aberto.