A Polícia Civil de Mato Grosso revelou, na tarde desta sexta-feira (15), durante coletiva de imprensa, que exames laboratoriais falsificados podem ter comprometido o diagnóstico e o tratamento de centenas de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em várias cidades do estado. A denúncia surgiu no âmbito da Operação Contraprova, que investiga fraudes em laudos médicos e falsificação de documentos atribuídas ao laboratório BioSeg.
Segundo o delegado Rogério Ferreira, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), há suspeita de que os laudos adulterados atingiram principalmente pacientes em situação de vulnerabilidade, muitos deles acamados e atendidos em casa por meio de convênios com prefeituras e até com o próprio governo estadual.
“A conduta investigada pode ter colocado em risco a vida de centenas de pacientes, principalmente do SUS. Esses exames eram utilizados por equipes médicas para tomar decisões clínicas importantes e estavam sendo manipulados”, afirmou o delegado em entrevista coletiva.
Contratos públicos e suspeitas médicas
O BioSeg atuava em municípios como Cuiabá, Sorriso e Sinop, firmando contratos com órgãos públicos, empresas conveniadas e também prestando atendimento à população em geral. Em uma das situações investigadas, uma empresa ligada ao grupo venceu licitação estadual para atendimento domiciliar, sendo responsável pela coleta de amostras de 300 a 400 pacientes.
De acordo com a polícia, médicos começaram a desconfiar da autenticidade dos resultados ao perceber que os laudos não condiziam com os sintomas apresentados. “Os próprios médicos relataram que os exames entregues simplesmente não batiam com os sintomas apresentados pelos pacientes. Isso levantou um alerta importante que agora estamos investigando a fundo”, acrescentou o delegado.
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Material coletado era descartado
As apurações indicam que as amostras coletadas - sangue, secreções e fluidos de pacientes em estado grave - não eram analisadas. Em vez disso, eram descartadas, enquanto laudos eram forjados pelo biomédico e sócio do laboratório, Igor Phelipe Gardés Ferraz, preso durante a operação. Outros dois sócios, Bruno Cordeiro Rabelo e Willian de Lima, foram alvos de busca e apreensão.
Denúncia inicial e exames críticos
A investigação começou em abril, quando a Vigilância Sanitária de Cuiabá recebeu denúncia sobre falsificação de exames. Na ocasião, uma unidade da BioSeg chegou a ser interditada e o biomédico foi preso em flagrante.
Entre os exames supostamente forjados estão testes para HIV, hepatites, sífilis, toxicológicos e até para covid-19. A suspeita é de que laudos eram emitidos sem qualquer análise real, colocando em risco tanto pacientes quanto familiares e profissionais de saúde.
A Polícia Civil agora busca dimensionar o alcance das fraudes e identificar todas as vítimas. Também será apurada a eventual participação de outros profissionais e gestores públicos no esquema.
"A investigação vai mapear quem mais está envolvido, quantos exames foram falsificados e se houve dolo em contratos firmados com o poder público. É uma fraude grave com impacto direto na vida das pessoas", concluiu o delegado.
A Operação Contraprova continua em andamento e já gera repercussão entre órgãos de saúde e controle, que cobram medidas urgentes para evitar novos riscos à população.