Nesta terça-feira (30), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou em coletiva de imprensa que a Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar a origem do metanol utilizado na adulteração de bebidas alcoólicas em São Paulo. A substância, altamente tóxica, já causou três mortes no estado, com outros dez casos em investigação. Também participaram da coletiva o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Lewandowski afirmou que há indícios de que a rede de distribuição de produtos adulterados transcende os limites de São Paulo, o que atrai a competência da Polícia Federal para a investigação. O ministro também mencionou a possibilidade de envolvimento de organizações criminosas na adulteração das bebidas.
“Objetivo é verificar a procedência dessa droga e a rede possível de distribuição, que ao que tudo indica, transcende os limites de um estado”, disse Lewandowski.
Casos fatais
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou que os 17 casos suspeitos registrados entre agosto e setembro já representam quase a média anual histórica do país, que é de cerca de 20 casos. Ele classificou a situação como "anormal" e anunciou a publicação de uma nota técnica para orientar profissionais de saúde sobre identificação e manejo de intoxicações por metanol.
“A ação da entrada da PF é por suspeitas que há uma relação com a organização criminosa relacionada com isso e o impacto é nacional”, explicou Padilha.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) identificou 13 casos suspeitos de intoxicação por metanol, dos quais cinco ainda estão em investigação, cinco pacientes receberam alta e três permanecem internados. No âmbito estadual, o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) confirmou seis casos e acompanha, ao todo, 10 situações em investigação em São Paulo.
Até o momento, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou três mortes em São Paulo decorrentes da ingestão de bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica e inflamável. Entre as vítimas estão um homem de 45 anos, morador de São Bernardo do Campo; um homem de 48 anos, morador de Itu, que faleceu em São Bernardo do Campo; e um homem de 54 anos, residente da capital paulista.
De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), diferentemente de contaminações anteriores por metanol, desta vez os episódios ocorreram em “cenas sociais de consumo alcoólico”, indicando que a ingestão se deu em ambientes de lazer e convívio social.
Investigações da PF
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acrescentou que a investigação se conecta a operações anteriores no Paraná, envolvendo a importação de metanol pelo porto de Paranaguá. “A ação da entrada da PF é por suspeitas que há uma relação com a organização criminosa relacionada com isso e o impacto é nacional."
Andrei explicou que a investigação da PF sobre o metanol utilizado na adulteração de bebidas alcoólicas não surgiu isoladamente. Segundo ele, a apuração está ligada a investigações recentes conduzidas no Paraná, que se conectaram a outras duas investigações em São Paulo envolvendo a cadeia de combustível. Parte do metanol utilizado no país passa pela importação pelo Porto de Paranaguá, o que motivou a entrada da PF neste caso específico.
“Dentro das razões [para a investigação da PF], a possível conexão com investigações recentes que fizemos, especialmente no Paraná, que se conectou com outras duas em São Paulo, em razão de toda a cadeia de combustível. Uma parte disso passa pela importação de metanol pelo [Porto de] Paranaguá. Portanto, a necessidade de entrarmos nesse caso por essas razões. A investigação dirá se há conexão com o crime organizado.”
Perigo em Bebidas Adulteradas
O metanol é frequentemente utilizado por falsificadores para adulterar bebidas como gin e vodca. A ingestão acidental pode levar a sintomas como dor abdominal intensa, visão turva e, em casos graves, cegueira irreversível ou morte. As autoridades recomendam que consumidores adquiram bebidas apenas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, para evitar riscos à saúde.