VENDA DE SENTENÇAS

PF revela 9 mil mensagens que expõem bastidores de suposto esquema em Mato Grosso

Da Redação
· 2 min de leitura
PF revela 9 mil mensagens que expõem bastidores de suposto esquema em Mato Grosso
Reprodução

Peritos da Polícia Federal recuperaram cerca de 9 mil mensagens trocadas entre o advogado Roberto Zampieri e Andreson Oliveira Gonçalves, apontados como “lobistas dos tribunais” em uma investigação sobre a suposta venda de decisões judiciais.

O material foi encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e revela diálogos que expõem atritos, negociações e estratégias adotadas pela dupla para garantir resultados favoráveis em processos milionários.

As conversas ocorreram entre junho de 2019 e dezembro de 2023, período em que Zampieri e Andreson atuavam em disputas de terras e processos de alto valor em Mato Grosso.

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Segundo a investigação, os dois se apresentavam como intermediários capazes de influenciar desembargadores, entre eles João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, citado diversas vezes nas mensagens como responsável por decisões alinhadas aos interesses da dupla.

Um dos episódios destacados no relatório envolve um recurso da advogada Míriam Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, esposa de Andreson. Inicialmente, o processo caiu nas mãos do desembargador Sebastião Barbosa Farias, que rejeitou o pedido. Irritado, Andreson reclamou com Zampieri: “Pô, eu jogo limpo com você e sai uma merda dessas”.

Zampieri tentou conter o colega prometendo que, com o retorno do desembargador João Ferreira, a decisão seria revertida — o que de fato aconteceu dias depois.

Em outro diálogo, Zampieri garantiu que um habeas corpus em favor de um policial militar preso com armas de grosso calibre seria concedido. A promessa foi cumprida e, em seguida, ele cobrou de Andreson o pagamento dos “honorários” acertados.

A investigação aponta que a contrapartida, de R$ 100 mil, foi paga como propina e não como serviço advocatício.

O CNJ destacou que a proximidade entre Zampieri e o desembargador resultava em decisões “celeremente atendidas por meios não convencionais”, inclusive por meio de conversas diretas com o magistrado.

O relatório ainda indica indícios de corrupção e lavagem de dinheiro, mencionando movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos de João Ferreira Filho, além da compra de imóveis de alto padrão subavaliados em declarações oficiais.

Zampieri foi assassinado a tiros em dezembro de 2023, em frente ao escritório onde atuava em Cuiabá. Andreson, por sua vez, acabou preso na Operação Sisamnes e cumpre atualmente prisão domiciliar. Já o desembargador João Ferreira Filho nega envolvimento em irregularidades e afirma não ter vendido sentenças.

As provas colhidas pela PF e repassadas ao CNJ resultaram na abertura de processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do magistrado e os vínculos que mantinha com os lobistas.