"CENÁRIO MONTADO GYN"

Operação da PJC mira esquema milionário em licitações de eventos em Barra do Garças

· 2 min de leitura
Operação da PJC mira esquema milionário em licitações de eventos em Barra do Garças

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), uma nova fase de investigação contra um suposto esquema estruturado de fraudes em licitações públicas que teria causado prejuízo milionário aos cofres da Prefeitura de Barra do Garças. A ação faz parte da Operação Cenário Montado Gyn, desdobramento de apurações iniciadas no início deste ano.

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Ao todo, são cumpridas 30 ordens judiciais, incluindo sete mandados de prisão preventiva, sete de busca e apreensão, quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático, além da suspensão das atividades econômicas de duas empresas e do sequestro de mais de R$ 4,2 milhões. As decisões foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e são executadas no município e nas cidades goianas de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia, com apoio da Polícia Civil de Goiás e da Core.

As investigações apontam para a atuação de empresários, funcionários de empresas e servidores públicos em um esquema que envolvia direcionamento de certames, simulação de concorrência, associação criminosa, corrupção e superfaturamento em contratos ligados à produção de eventos e shows.

Segundo a Polícia Civil, a apuração teve início em janeiro de 2025, a partir de informações repassadas pelo Gaeco, inicialmente voltadas a licitações no município de Pontal do Araguaia. A partir daí, os investigadores identificaram o uso recorrente de atas de registro de preços, posteriormente “caronadas” por outros municípios, com valores elevados e fortes indícios de manipulação.

Somente em três pregões analisados, os contratos alcançaram cerca de R$ 25,8 milhões, com potencial de adesões que poderiam dobrar esse montante. Laudos técnicos revelaram superfaturamento que chegava a mais de 370% em itens como palcos, iluminação, telões de LED, geradores e estruturas para eventos.

Após as primeiras operações, uma comparação de mercado indicou queda imediata nos preços praticados, reforçando a suspeita de que os valores anteriores eram artificialmente inflados. A investigação também aponta repetição de orçamentos, ausência de competitividade real e subcontratações integrais irregulares.

Com o avanço das apurações, o mesmo padrão teria sido replicado em Barra do Garças, por meio de adesões a atas originadas em Pontal do Araguaia. O prejuízo inicialmente identificado e bloqueado nesta fase supera R$ 4,2 milhões, enquanto fases anteriores já resultaram no sequestro de bens acima de R$ 21 milhões.

As investigações seguem em andamento e novas fases não estão descartadas. O nome da operação faz referência à encenação de uma concorrência fictícia, montada previamente para dar aparência de legalidade a processos licitatórios fraudulentos.