A importunação sexual sofrida pela deputada Janaina Riva (MDB) provocou forte reação entre mulheres da política e instituições públicas em Mato Grosso. Vereadoras, órgãos de Justiça e entidades se manifestaram em solidariedade à parlamentar, após a divulgação de áudios de teor sexual e ofensivo gravados por Deliandson Milton da Silva, de 41 anos, servidor da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder).
A deputada registrou boletim de ocorrência e a Justiça determinou medidas protetivas imediatas contra o agressor, proibindo sua aproximação e contato por qualquer meio. Ele também está impedido de divulgar ou compartilhar qualquer conteúdo relacionado ao caso. A decisão, assinada pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, inclui ainda o acionamento do botão do pânico (app SOS Mulher) e acompanhamento da Patrulha Maria da Penha.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) manifestou “total suporte” à deputada e informou que a Procuradoria-Geral da Casa acompanha o caso para garantir a responsabilização do autor. A Defensoria Pública (DPMT) também se posicionou com “repúdio absoluto à violência de gênero” e colocou o Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) à disposição da parlamentar.
Na Câmara de Cuiabá, a presidente Paula Calil (PL) condenou o ataque e ofereceu acolhimento à deputada. As vereadoras Doutora Mara (Podemos) e Michely Alencar (União) reforçaram o repúdio, classificando o episódio como “lamentável e inaceitável”. Michely destacou ainda que “denunciar é um ato de força e resistência” para todas as mulheres vítimas de violência.
Janaina, que também acionou o Ministério Público por violência política de gênero, afirmou que pretende transformar o caso em exemplo de enfrentamento à misoginia e à violência digital. “Esse episódio mostra que nenhuma mulher está imune. É hora de reagir e exigir respeito em todos os espaços”, declarou.