Na manhã desta terça-feira (27), a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Vínculo Quebrado, que colocou no centro das investigações Adriana Nunes Lunguinho de Almeidade, 53 anos, suspeita de usar o nome do próprio filho, o prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago Gonçalo Lunguinho de Almeida, para aplicar golpes financeiros em vítimas de Cuiabá e Várzea Grande. O esquema teria causado um prejuízo superior a R$ 913 mil, segundo a polícia.
A investigada teve contra si uma série de medidas cautelares impostas pela Justiça, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, apreensão do passaporte, bloqueio de até R$ 1 milhão em contas bancárias, proibição de apostas on-line e restrições de circulação.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e cumpridas pela Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes de Várzea Grande (DEEVG).
Falsas promessas e empresas inexistentes
De acordo com as investigações da PC, Adriana utilizava de forma indevida o nome e a imagem do filho prefeito para conferir credibilidade às abordagens, alegando que os valores captados seriam aplicados em empresas supostamente prestadoras de serviços para a prefeitura. A narrativa, segundo a polícia, tinha como objetivo atrair investidores e dar aparência de legalidade às operações financeiras.
Na prática, as empresas não existiam ou não mantinham contratos reais com o poder público, caracterizando um esquema de fraude. As vítimas eram convencidas de que a investigada administrava negócios vencedores de licitações municipais, o que jamais se confirmou.
“O objetivo das medidas judiciais é garantir que a investigada responda o processo sem risco de fuga e assegurar, na medida do possível, o ressarcimento patrimonial às vítimas, explicou o delegado da 3ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande, André Luis Prado Monteiro da Silva, responsável pelo inquérito.
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Vício em jogos e colapso do esquema
As apurações apontam que os golpes vinham sendo aplicados desde o fim de 2024, com promessas de lucros rápidos e elevados. No entanto, a suspeita enfrentava grave endividamento, agravado por vício em apostas on-line, o que teria impulsionado a busca por novos recursos.
Com o avanço das cobranças e a incapacidade de manter os pagamentos alternados a credores e possíveis agiotas, o esquema entrou em colapso no fim de 2025. Até o momento, oito vítimas já formalizaram denúncia, mas a polícia acredita que o número pode ser maior.
Além do monitoramento eletrônico e do bloqueio de bens, a Justiça determinou recolhimento domiciliar noturno, comparecimento trimestral em juízo, proibição de contato com as vítimas e restrição de acesso ao próprio estabelecimento comercial da investigada.
Segundo o delegado, o objetivo é impedir a continuidade dos crimes, garantir o andamento do processo sem risco de fuga e viabilizar o ressarcimento das vítimas. A prisão preventiva não está descartada e poderá ser decretada em caso de descumprimento das medidas.
Parte da investigação também apura possíveis crimes de agiotagem, extorsão e ameaças, envolvendo terceiros que emprestaram dinheiro à suspeita. Os autos foram encaminhados à 3ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande para apuração específica.
Operação Vínculo Quebrado
O nome da operação simboliza a quebra de confiança e o rompimento de laços sociais, familiares e profissionais, já que muitas vítimas pertenciam ao círculo de convivência da investigada.
A Polícia Civil reforça o alerta para que cidadãos desconfiem de promessas de ganhos fáceis e investimentos com suposto respaldo político, destacando que golpes dessa natureza têm se tornado cada vez mais sofisticados.