DESIGUALDADE DENTRO DE FACÇÃO

Líderes do CV ostentavam luxo, enquanto "operários" viviam na miséria, revela delegado

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Líderes do CV ostentavam luxo, enquanto "operários" viviam na miséria, revela delegado
Foto: Victor Ostetti/MidiaNews

A Polícia Civil de Mato Grosso revelou nesta sexta-feira (22), em coletiva de imprensa, o contraste social dentro da facção Comando Vermelho (CV), que atuava em Cuiabá e Várzea Grande. De acordo com o delegado Gustavo Colognesi Belão, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), apenas os chefes tinham acesso a carros de luxo, imóveis e milhões em contas bancárias, enquanto a maioria dos integrantes vivia em situação de miséria.

As declarações foram dadas após os desdobramentos da Operação Ludus Sordidus, que desarticulou um esquema ligado a jogos de azar, tráfico de drogas, estelionato e lavagem de dinheiro. A ação, realizada em parceria com a Draco, resultou no cumprimento de 38 ordens judiciais, incluindo dez prisões preventivas e bloqueio de mais de R$ 13 milhões em bens.

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O principal alvo da ofensiva policial foi Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como "Dandão" ou “Dono da Quebrada”, proprietário do SN Futebol Clube.

Apontado como líder do grupo, ele já cumpre prisão domiciliar por decisão judicial devido a problemas de saúde. Entre os bens apreendidos estão veículos de alto padrão, como Corolla Cross e Toyota SW4, além de pelo menos sete imóveis em Cuiabá.

“Vimos que ele estava em um patamar alto financeiramente. Temos os faccionados operários, que trabalham para o crime organizado e, por meio desse trabalho, quem realmente lucra na facção é quem está no topo da pirâmide. Isso ficou claro nesta operação: carros de luxo apreendidos, casas de alto valor”, afirmou o delegado.

A investigação mostrou que a facção seguia uma lógica piramidal: a cúpula acumulava riqueza, enquanto a base do crime organizado seguia explorada, sem acesso aos benefícios do esquema.

“Os faccionados operários trabalham para esse líder da organização criminosa, que está no topo da pirâmide e desfruta do patrimônio de luxo, veículos e casas, enquanto os faccionados operários continuam na miséria e na pobreza”.

A polícia não descarta novas prisões e a identificação de outros envolvidos nos próximos dias.