EX-SERVIDOR DA CÂMARA

Justiça nega autorização para condenado por lavagem de dinheiro do CV participar de evento em SP

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Justiça nega autorização para condenado por lavagem de dinheiro do CV participar de evento em SP

O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou o pedido do ex-servidor da Câmara Municipal de Cuiabá, Rodrigo de Souza Leal, condenado a 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro em favor do Comando Vermelho (CV), para viajar a São Paulo e participar de um evento social. Segundo o magistrado, a solicitação não poderia ser analisada durante o plantão judicial, cabendo a apreciação ao relator do processo. A decisão foi proferida no último sábado (13).

Rodrigo foi condenado em agosto pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, no âmbito da Operação Ragnatela. A investigação desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas que utilizava boates, eventos musicais e empresas de fachada na capital mato-grossense. Ao todo, oito integrantes do CV foram condenados, com penas que somam 71 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa.

De acordo com as investigações, Rodrigo foi o criador e fundador do grupo G12 Eventos, responsável pela organização de shows, contratação de artistas e articulação de eventos usados para inserir recursos ilícitos no sistema financeiro formal. Ele também atuava como intermediário entre a facção criminosa e agentes públicos, tendo exercido o cargo de assessor no gabinete do ex-vereador Paulo Henrique Figueiredo, igualmente preso na operação.

Outro ex-assessor parlamentar, Elzyo Jardel Xavier Pires, também foi condenado a 10 anos de reclusão. Ele auxiliava na montagem estrutural dos eventos e recebia parte dos valores obtidos com a lavagem de dinheiro.

As apurações apontaram ainda o uso de casas noturnas, como Dallas Bar e Strick Pub, além de eventos de funk, para movimentar recursos do CV. Empresas como Expresso Lavacar, Dom Carmindo Lava Jato e Clube CT Mangueiras teriam sido utilizadas para receber altas quantias sem a devida comprovação fiscal. Para ocultar a origem do dinheiro, o grupo empregava técnicas como o smurfing (depósitos fracionados) e o commingling (mistura de recursos lícitos e ilícitos).

O esquema incluía, ainda, corrupção ativa de agentes públicos, entre eles vereadores e fiscais da Secretaria de Ordem Pública e Defesa Civil (SORP), que facilitavam a liberação de licenças e alvarás e afrouxavam fiscalizações em troca de vantagens indevidas, registradas em planilhas internas da organização.

Com a deflagração da operação, a Câmara Municipal de Cuiabá exonerou Rodrigo de Souza Leal, Elzyo Jardel Xavier Pires e Willian Aparecido da Costa Pereira, conhecido como “Gordão”, todos presos pela Polícia Federal por envolvimento no esquema criminoso.