A Justiça de Mato Grosso aceitou a denúncia do Ministério Público contra 15 pessoas apontadas como integrantes de uma rede criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV). Os suspeitos foram presos durante a Operação Ludus Sordidus, deflagrada em 21 de agosto pela Polícia Civil, que tinha como objetivo enfraquecer uma facção criminosa em expansão em Cuiabá, Várzea Grande e também em São Paulo.
Durante a ação, foram cumpridos 38 mandados judiciais, incluindo 10 prisões preventivas e 8 buscas e apreensões, além do bloqueio e sequestro de bens avaliados em mais de R$ 13 milhões.
As investigações apontam que o grupo utilizava sites de apostas ilegais para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e financiar atividades da facção no estado.
A decisão é do juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da Comarca de Cuiabá, que entendeu haver indícios suficientes para o prosseguimento da ação penal. Os acusados vão responder por crimes como organização criminosa, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e contravenções penais.
Entre os denunciados está Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como “Dandão” ou “Dono da Quebrada”, apontado como líder local do CV. Ele é suspeito de administrar as atividades da facção em bairros de Cuiabá e de receber 10% dos lucros mensais das plataformas “Gol Bet” e “Campeão Bet”, usadas para movimentar recursos ilícitos.
De acordo com a denúncia, os valores obtidos com as apostas eram distribuídos semanalmente entre os membros da facção, servindo tanto para ocultar o dinheiro do tráfico quanto para gerar novas fontes de financiamento.
O juiz ressaltou que, nesta fase inicial, bastam provas indiciárias para a abertura da ação penal. A denúncia segue os requisitos do Código de Processo Penal e será analisada pelo princípio do “in dubio pro societate”, que privilegia o interesse público.
A investigação, chamada Operação Ludus Sordidus e realizada em agosto pela Polícia Civil, também identificou a participação de familiares e pessoas próximas aos líderes da facção na movimentação financeira.
O processo segue em tramitação, e os 15 acusados agora respondem formalmente pelos crimes. Se condenados, podem receber penas que incluem prisão e perda dos valores movimentados pelas apostas ilegais.