CRISE ENTRE PODERES

Júlio diz que reajuste do Judiciário pode ficar para 2026 após possível veto de Mauro Mendes

R. Blatz, do FTN Brasil
· 2 min de leitura
Júlio diz que reajuste do Judiciário pode ficar para 2026 após possível veto de Mauro Mendes

O vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Campos (União Brasil), afirmou que o reajuste de 6,8% para servidores do Tribunal de Justiça pode acabar sendo decidido apenas em 2026. Segundo ele, isso ocorreria caso o projeto finalmente seja votado, aprovado e, depois, vetado pelo governador Mauro Mendes (União), forçando o retorno da matéria ao Parlamento no próximo ano.

O texto, encaminhado pelo TJ há cerca de 90 dias, enfrenta resistência do Executivo, que articula com sua base para segurar a tramitação. Na última sessão, a votação foi interrompida por um novo pedido de vistas do deputado Chico Guarnieri (PRD), o terceiro desde que a proposta chegou ao plenário.

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Apesar dos entraves, o presidente da Assembleia, Max Russi (PSB), prevê que o projeto vá à votação na quarta-feira (19), já que novas vistas são proibidas pelo regimento. Ele pondera, porém, que o avanço depende do quórum dos parlamentares.

Júlio Campos criticou as manobras que vêm travando a análise. Explicou que pedidos de vista não são mais possíveis e que apenas uma eventual emenda poderia empurrar o texto de volta à Comissão de Constituição e Justiça. “Espero que isso não aconteça. O Tribunal de Justiça é um poder independente, com autonomia financeira e orçamentária. Lamentavelmente, por pressões superiores, a Assembleia até agora não votou”, disse ao Jornal do Meio Dia (TV Vila Real).

O deputado admitiu que o governo teme o efeito cascata que a aprovação pode desencadear. Ele citou que o impacto mensal, hoje estimado em R$ 42 milhões, poderia saltar para R$ 1,6 bilhão caso todos os poderes reivindicassem aumentos semelhantes. Também reconheceu que as pressões do Executivo influenciaram na postura de parlamentares da base.

“Infelizmente funcionou até agora. Tivemos pedidos de vista do deputado Beto Dois a Um, do deputado Dr. Eugênio e, mais recentemente, do deputado Chico Guarnieri”, afirmou.

Mesmo assim, Campos acredita que a votação será realizada na próxima sessão. Ele reforçou que, mesmo aprovada, a matéria poderá ser barrada pelo Executivo. “O governo tem um instrumento muito forte, que é vetar o aumento. E o veto só será analisado no ano que vem, porque encerramos as atividades legislativas no dia 17 de dezembro, quando vamos votar o orçamento de 2026”, finalizou.