O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) elevou o tom nas discussões sobre as articulações para as eleições de 2026 em Mato Grosso. Em entrevista à Rádio Cultura FM, nesta quinta-feira (6), o parlamentar afirmou que o irmão, senador Jayme Campos (União), já trabalha firmemente em sua pré-candidatura ao Governo do Estado, e defendeu alianças estratégicas com Janaina Riva (MDB) e Carlos Fávaro (PSD) — nomes cotados para disputar as vagas ao Senado.
Ao comentar a movimentação da oposição, Júlio fez críticas diretas à suposta formação da chapa liderada pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que teria a vereadora Samantha Iris (PL), esposa do prefeito de Cuiabá Abílio Brunini (PL), como possível candidata a vice. Para o deputado, a composição demonstra falta de preparo e de experiência administrativa.
“Com todo respeito, é uma senhora digna, crente, evangélica. Mas qual a experiência administrativa da vereadora? Você tem que escolher um vice que esteja preparado para assumir o Governo, se necessário. Não é coisa de brincadeira”, disparou o parlamentar.
Crítica aos bastidores do poder
Júlio também ironizou a forma como a candidatura de Pivetta teria sido definida — durante uma reunião em 8 de julho, na chácara do empresário Eraí Maggi, em Cuiabá. O encontro reuniu o governador Mauro Mendes, os ex-ministros Blairo Maggi e Marcos Pereira, além de parlamentares e empresários.
“Não é esse negócio de reunir na fazenda, no aeroporto, meia dúzia de empresários e escolher governador. Isso acabou. Mato Grosso não é um fazendão”, provocou Júlio, em tom de crítica às velhas práticas políticas.
Apoio à prefeita de Jaciara
O deputado aproveitou a entrevista para defender o nome da prefeita de Jaciara, Andreia Wagner (PSB), como possível candidata a vice na chapa de Jayme Campos. Júlio exaltou a experiência da gestora, reeleita com 82% dos votos, e afirmou que ela “tem perfil técnico e político” para integrar uma chapa majoritária.
“Ela já foi vereadora, está em seu segundo mandato como prefeita e tem credibilidade. É um nome à altura do desafio”, disse.
Júlio ainda destacou que a eventual indicação de Andreia abriria espaço para o projeto político do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB) — marido da prefeita — mirando o Governo do Estado em 2030.
“Já imaginou o prestígio do Max Russi? A mulher vice-governadora e ele reeleito presidente da Assembleia. Isso é planejamento político. Na política, tudo é possível”, completou.
Rivalidade e estratégias
A fala de Júlio Campos acirra a disputa entre os dois grupos políticos que se articulam para 2026 — o liderado por Jayme Campos e o bloco Pivetta-Abílio. O embate, que já mistura rivalidades locais e projetos pessoais, promete ser um dos mais polarizados da próxima eleição estadual.
Com tom crítico e direto, o deputado deixou claro que a disputa pelo Palácio Paiaguás está longe de ser apenas um jogo de bastidores:
“A escolha de um vice não é brincadeira. É responsabilidade com o futuro de Mato Grosso”, concluiu.