"PRECISAVA DAR AQUELA FORÇA"

Empresário atuou para acelerar liberação de R$ 3,6 milhões em emendas, aponta investigação

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Empresário atuou para acelerar liberação de R$ 3,6 milhões em emendas, aponta investigação

O relatório da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil, através da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) na última terça-feira (27), revela que o empresário João Nery Chiroli atuou de forma direta e contínua para agilizar trâmites administrativos dentro da Prefeitura de Cuiabá e da Câmara Municipal, com o objetivo de liberar emendas parlamentares destinadas a eventos esportivos.

As investigações apontam que Chiroli mantinha contato frequente com o vereador afastado Chico 2000 (sem partido), cobrando rapidez na formalização dos processos ligados às corridas 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá e 6ª Corrida do Legislativo, ambas vinculadas ao Instituto Brasil Central (IBRACE).

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De acordo com o relatório policial, mensagens e áudios extraídos do celular do empresário mostram pedidos reiterados para que o parlamentar “desse uma força” junto aos setores responsáveis, a fim de destravar procedimentos administrativos que estavam parados na Secretaria Municipal de Esporte e na Procuradoria-Geral do Município (PGM).

Reprodução

Em um dos trechos destacados, Chiroli informa que o processo havia sido protocolado no dia 18 de março de 2025 e solicita interferência direta para acelerar a liberação. No dia seguinte, os autos voltaram a tramitar, com despacho da Secretaria de Esporte solicitando parecer da PGM, que se manifestou dias depois.

A apuração também identificou que o atestado de capacidade técnica exigido nos processos foi emitido pela empresa Sem Limite Esporte e Eventos, cujo nome fantasia é Chiroli Esportes, pertencente ao próprio empresário. Segundo a polícia, embora os recursos tenham sido repassados ao IBRACE, a execução prática dos eventos teria sido realizada pela empresa de Chiroli, caracterizando possível triangulação de recursos públicos.

O relatório destaca ainda que há indícios de direcionamento prévio das emendas parlamentares, emissão de documentos técnicos por empresas ligadas ao beneficiário, além de interferência política direta para acelerar os trâmites internos, configurando uma relação estreita entre o vereador, o empresário e o instituto.

Entre 2024 e 2025, R$ 3,65 milhões em emendas parlamentares foram destinados por Chico 2000 ao IBRACE. No total, o instituto recebeu R$ 5,5 milhões de vereadores da capital.

A Polícia Civil segue investigando o caso para apurar responsabilidades e possíveis crimes contra a administração pública.