Um homem de 42 anos foi libertado na manhã da última quinta-feira (28) após passar 25 dias em cárcere dentro de uma Kombi, no Guará II, Distrito Federal. Ele conseguiu pedir ajuda quando foi levado pelo sequestrador a uma agência bancária para sacar R$ 16 mil.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, o homem aproveitou um descuido do sequestrador, que o aguardava do lado de fora do banco, e pediu socorro a uma funcionária da limpeza. Ela trancou as portas discretamente, acionou os seguranças e chamou a Polícia Militar.
Os agentes chegaram rapidamente e prenderam o suspeito, de 56 anos, que ainda tentou destruir três celulares da vítima para dificultar as investigações. O homem sequestrado foi encaminhado ao hospital com diversas lesões e hematomas. Ele relatou que sofria constantes ameaças de morte e era levado a um buraco, onde os criminosos diziam que o enterrariam vivo se não conseguisse entregar dinheiro.
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A embocada
De acordo com o delegado Marcos Paulo Loures, o crime começou após uma emboscada. A vítima, que veio de Belém (PA) para Brasília a trabalho, conheceu uma garota de programa e foi levada até a Kombi, em uma área rural do Guará II. Após consumir drogas e álcool, ele dormiu. Ao acordar, a mulher havia desaparecido e, no lugar dela, estavam os sequestradores.
O grupo exigia que o homem usasse seu conhecimento em informática para abrir contas bancárias e fazer empréstimos em nome de terceiros. Ao se recusar, passou a ser agredido com barras de ferro e submetido a torturas. Durante o período em cativeiro, recebia apenas uma refeição por dia e era obrigado a fazer as necessidades no mato. Para sobreviver, começou a transferir pequenas quantias de sua própria conta, simulando fraudes, até acumular um prejuízo de R$ 8 mil.
As investigações levaram os policiais até uma chácara usada como cativeiro, onde foram encontradas porções de crack e maconha escondidas.
O sequestrador, que trabalhava como catador de lixo, já tinha passagens por homicídio, tráfico e receptação. Ele usava tornozeleira eletrônica no momento do flagrante e agora responde por sequestro, cárcere privado, tortura, roubo com restrição de liberdade, tráfico de drogas e extorsão.
Segundo a vítima, cerca de 10 pessoas se revezavam para vigiá-la. A polícia segue investigando para localizar os demais envolvidos.
“O caso é de extrema gravidade. Raramente registramos situações semelhantes no Distrito Federal”, destacou o delegado Loures.