O Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga um grupo de policiais militares suspeitos de integrar uma organização criminosa ligada a esquemas de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. A operação, batizada de “Fides Fracta”, aponta que uma loja de veículos teria sido utilizada como fachada para simular vendas e liberar financiamentos bancários que abasteciam empréstimos ilegais.
Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (26), a delegada do Gaeco Angelina de Andrade Ferreira explicou que um dos investigados era proprietário da loja e simulava transações de compra e venda de automóveis para justificar financiamentos junto aos bancos. Na prática, não havia transferência real de propriedade, o que caracterizaria uma simulação fraudulenta.
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“É possível que tenham ocorrido simulações de alienação fiduciária de veículos, nas quais o banco liberava valores como se houvesse uma compra e venda real, mas, na verdade, essa negociação nunca aconteceu. Os veículos permaneciam na loja, à disposição como se fossem para venda, mas eram usados para viabilizar a alienação fiduciária”, informou a delegada.
Com os valores liberados pelos bancos, os suspeitos realizavam empréstimos informais com juros de até 50%, prática configurada como agiotagem. Segundo a delegada, caso houvesse risco de inadimplência ou questionamentos sobre o recurso obtido, outro veículo era rapidamente apresentado como garantia, permitindo a continuidade do esquema.
“Esse mecanismo cria uma aparência de legalidade, mas serve para alimentar a agiotagem e gerar ganhos muito acima do permitido. É um sistema que se retroalimenta e dificulta o rastreamento do dinheiro”, afirmou.
As investigações continuam para identificar todos os participantes e o montante movimentado pela organização, que pode ter atuado por anos sem chamar atenção das autoridades.