FORMAÇÃO DE CONDUTORES

Flexibilização da CNH preocupa setor e acende alerta sobre segurança no trânsito de MT

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Flexibilização da CNH preocupa setor e acende alerta sobre segurança no trânsito de MT

As mudanças recentes nas regras para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) têm gerado forte apreensão entre profissionais responsáveis pela formação de novos condutores em Mato Grosso. Para o presidente da Associação das Autoescolas do Estado, Márcio Manoel de Campos, a flexibilização do processo pode comprometer a qualidade do aprendizado e refletir diretamente na segurança do trânsito em curto prazo.

Segundo ele, embora o setor reconheça avanços na desburocratização e na possível redução de custos para os candidatos, o novo modelo reduz de forma preocupante a carga mínima de aulas práticas, o que, na avaliação da entidade, é insuficiente para avaliar e preparar um motorista iniciante.

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“A quantidade de aulas hoje é muito pequena. Com apenas duas aulas práticas, não há como medir se a pessoa tem domínio mínimo do veículo”, afirma Márcio. Ele compara o novo formato a uma “formação por aplicativo”, que, segundo o dirigente, enfraquece o papel educativo das autoescolas e deixa lacunas no aprendizado.

Um dos pontos mais sensíveis, de acordo com o presidente da associação, é a retirada da obrigatoriedade do comando duplo nos veículos utilizados para ensino. O equipamento permite que o instrutor acione freio e embreagem em situações de risco, garantindo mais segurança durante o treinamento.

“Como ensinar alguém a dirigir sem um sistema de segurança para intervir em caso de emergência? Isso nos assusta muito”, destaca.

Márcio também chama atenção para a prova de baliza, considerada por ele um dos principais indicadores do nível de controle e percepção do candidato. “É ali que se mede o domínio básico do carro. Imagina alguém indo para a rua sem esse preparo”, pontua.

Apesar de reconhecer que modelos semelhantes existem em outros países, o presidente da associação ressalta que essas experiências só funcionam onde há fiscalização rigorosa e uma cultura sólida de educação no trânsito.

“Em países como os Estados Unidos, dirigir sem habilitação é impensável. Aqui, a realidade é outra. Falta fiscalização, e os acidentes, especialmente envolvendo motociclistas, em grande parte são causados por pessoas não habilitadas”, afirma.

Para o setor, o ideal seria um modelo que garantisse a formação dentro das autoescolas, independentemente do número de aulas contratadas, valorizando a estrutura, a experiência acumulada e a qualificação dos instrutores. “Nossa formação é extensa, são cerca de 180 horas, com avaliação teórica e prática. Hoje, o modelo proposto forma instrutores em poucas horas, de forma superficial”, critica.

A avaliação da entidade é que os efeitos das mudanças não devem demorar a aparecer. “Em até seis meses, o próprio trânsito vai mostrar situações que a gente não gostaria de ver”, conclui Márcio.