A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), acusou a Câmara Municipal de agir de maneira política e parcial ao instaurar uma Comissão Processante (CP) que pode resultar em sua cassação. Segundo ela, o processo — baseado em denúncia sobre supostas irregularidades na compra de uniformes escolares — é uma tentativa de afastá-la do cargo sem fundamentos administrativos.
Em entrevista nesta sexta-feira (28), Flávia afirmou que a investigação atende aos interesses do presidente da Câmara, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), a quem acusa de usar a tribuna para atacá-la.
“Essa Comissão Processante é política, é para tentar me tirar no tapetão. O presidente da Casa vive mandando recados na tribuna. É uma tentativa clara de tomar a prefeitura”, declarou a prefeita.
Denúncia e composição da CP
A CP foi aberta após aprovação de 17 vereadores, com base na denúncia apresentada por um morador identificado como P.A.R.C., que acusa a prefeita de usar a distribuição de uniformes para promoção pessoal.
O trio responsável por conduzir a investigação será composto por:
Sardinha (MDB) – presidente
Carlinhos Figueiredo (Republicanos) – relator
Enfermeiro Emerson (PP) – membro
O grupo fará diligências, solicitará documentos e poderá ouvir testemunhas.
Câmara rejeita acusação de perseguição
Em nota, a Câmara Municipal negou qualquer motivação política e afirmou estar cumprindo seu papel constitucional de fiscalizar o Executivo. O Legislativo também destacou que o presidente da Casa não se beneficia de um eventual afastamento da prefeita, já que não é o substituto imediato.
“Os processos tramitam com imparcialidade, garantindo ampla defesa e contraditório”, diz o comunicado.
A Câmara lembrou ainda que outra denúncia contra a prefeita foi arquivada recentemente, o que, segundo o Legislativo, reforça a isenção dos vereadores. Flávia terá o prazo legal para apresentar sua defesa e pedir a produção de provas.