O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), foi afastado do cargo nesta quarta-feira (5) por determinação judicial, após o avanço de uma nova fase da Operação Copia e Cola, conduzida pela Polícia Federal. A ação investiga um suposto esquema de corrupção e desvio de recursos públicos na área da saúde municipal.
Embora Manga não tenha sido alvo de prisão, o empresário Marco Mott, apontado como amigo pessoal e intermediário de propina, foi preso preventivamente. Outro investigado também foi detido.
Nova fase da operação
A operação foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que expediu sete mandados de busca e apreensão em Sorocaba e outras cidades do estado. A decisão judicial ainda determinou:
Bloqueio e sequestro de bens dos investigados, totalizando cerca de R$ 6,5 milhões;
Afastamento de funções públicas e proibição de contato entre os investigados.
Segundo a PF, os envolvidos podem responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa — crimes que, somados, podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Manga reage e nega irregularidades
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rodrigo Manga negou as acusações e afirmou ser vítima de perseguição política.
“Eu não vou desistir de Sorocaba nem do Brasil. O que estão tentando fazer vai fazer o nosso nome soprar ainda mais, porque Deus não falha”, declarou o prefeito afastado.
Enquanto isso, o vice-prefeito Fernando Martins da Costa Neto assumiu interinamente o comando da Prefeitura. Em nota, o Executivo municipal afirmou que a transição foi feita para “garantir a continuidade dos serviços públicos e o funcionamento regular da administração” até que os fatos sejam esclarecidos.
Conexão com a primeira fase
Rodrigo Manga já havia sido alvo da primeira fase da Operação Copia e Cola, deflagrada em 10 de abril deste ano, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca na residência do prefeito e na sede da Prefeitura de Sorocaba.
De acordo com as investigações, documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos naquela ocasião foram cruciais para identificar novos suspeitos e aprofundar o rastreamento do suposto esquema de propina.
A Polícia Federal segue analisando os materiais apreendidos nesta nova fase e não descarta novas prisões e denúncias nos próximos dias.
Com o afastamento, Manga se torna o segundo prefeito paulista em menos de um mês a ser removido do cargo por decisão judicial envolvendo corrupção em contratos da saúde — um sinal de que o cerco contra desvios de recursos públicos no setor se fecha cada vez mais.