Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri de Vera (458 km de Cuiabá) condenou Maria de Lourdes Pipper Peron, de 64 anos, e seus filhos Adriano Peron, 41, e Diomar Peron, 37, pelo assassinato do produtor rural Adelfo Borghezan Peron, ocorrido em fevereiro de 2008. As penas somadas chegam a 56 anos e 4 meses de prisão em regime fechado.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o crime aconteceu durante a madrugada, na Chácara Santa Maria, zona rural do município. Adelfo, então com 50 anos, dormia quando foi atacado pela esposa, que o atingiu com três golpes de faca no pulmão esquerdo. Ainda com vida, ele foi levado pelos filhos até um galpão da propriedade, onde foi enforcado com uma corda, morrendo por asfixia.
As investigações apontaram que o crime foi premeditado e motivado por disputas familiares e interesses financeiros. Os autores ainda tentaram simular um suicídio, lavando o corpo e limpando o local para eliminar vestígios. A perícia, no entanto, descartou a farsa e comprovou que a vítima foi atacada enquanto dormia, sem chance de defesa.
“O homicídio foi cometido por motivo torpe e com extrema frieza. Além de tirar a vida da vítima, os réus tentaram enganar as autoridades com uma encenação cruel”, afirmou o promotor de Justiça Daniel Luiz dos Santos.
O Conselho de Sentença reconheceu todas as qualificadoras apresentadas pelo MPMT: motivo torpe, asfixia e impossibilidade de defesa. Cada um dos três acusados recebeu pena de 18 anos e 8 meses de reclusão. Já Tamires Paula Tonin, nora da vítima, foi absolvida por falta de provas.
A sentença foi proferida pelo juiz Victor Lima Pinto Coelho, com atuação dos promotores Fabison Miranda Cardoso e Eduardo Antônio Ferreira Zaque, integrantes do Grupo de Atuação Especial no Tribunal do Júri (GAEJúri).
Criado em 2025, o GAEJúri reforça o trabalho do MPMT em casos de grande repercussão e alta complexidade, prestando apoio às Promotorias nas sessões do Tribunal do Júri em todo o estado.