OPERAÇÃO RAGNATELA

Ex-servidores são condenados por atuarem em prol de facção

Da Redação
· 3 min de leitura
Ex-servidores são condenados por atuarem em prol de facção
Reprodução

O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, condenou o ex-servidores comissionados da Câmara Municipal, Elzyo Jardel Xavier Pires, Willian Aparecido da Costa Pereira e Rodrigo de Souza Leal, por atuarem em prol de uma facção criminosa.

Eles foram condenados pelos crimes de corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Elzyo foi sentenciado a 10 anos e dois meses de prisão; Willian a 14 anos, 1 mês e cinco dias de reclusão; e Rodrigo a 10 anos e 9 meses de prisão.

A sentença, publicada nesta segunda-feira (18), também condenou Joadir Alves Gonçalves, Joanilson de Lima Oliveira, Kamilla Beretta Bertoni, Agner Luiz Pereira de Oliveira e João Lennon Arruda de Souza, em penas que variam entre 3 anos a 14 anos de prisão, além do pagamento de multa.

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Todos foram alvos da Operação Ragnatela, desencadeada em 2024 para apurar um núcleo de uma facção criminosa responsável pela lavagem de dinheiro em casas noturnas.

As investigações apontaram que os ex-servidores atuavam em benefício do grupo na interlocução com agentes públicos, recebendo, em contrapartida, recursos financeiros.

Na decisão, o magistrado levou em consideração a gravidade da conduta dos réus e que os autos revelaram “uma atuação complexa, reiterada e inserida no contexto de uma organização criminosa altamente estruturada”.

“Os autos demonstram que o esquema envolvia tanto pessoas físicas quanto jurídicas, com a participação de diversos corréus que realizavam eventos semanais voltados à dissimulação da origem ilícita dos recursos. Para isso, empregavam-se múltiplas modalidades de lavagem, entre elas o smurfing e o commingling, dificultando a rastreabilidade do dinheiro sujo”.

“Além disso, a organização promovia a aquisição constante de bens móveis e imóveis, em evidente tentativa de dar aparência lícita aos vultosos valores provenientes de atividades espúrias”, destacou o juiz.

Apenas Joadir, Joanilson e Willian permanecerão presos. Os demais, podem recorrer da sentença em liberdade.

Foram absolvidos: Ana Cristina Brauna Freitas, Matheus Araújo Barbosa, Rafael Piaia Pael, Wilson Carlos da Costa, Lauriano Sai Gomes da Cruz e Clawilson Almeida Lacava.

Alienação antecipada dos bens

Ainda na sentença, Jean Garcia determinou o perdimento dos bens sequestrados na operação e ordenou a alienação antecipada de veículos e relógios de luxo, tendo em vista que, se permanecerem guardados, podem sofrer depreciação natural e desvalorização.

Os valores adquiridos com a venda desses bens serão revertidos em prol do Estado.

A operação

A investigação identificou que criminosos teriam adquirido uma casa noturna em Cuiabá, pelo valor de R$ 800 mil, pagos em espécie, com o lucro auferido por meio de atividades ilícitas. A partir de então, o grupo passou a realizar shows de MCs nacionalmente conhecidos, custeado pela facção criminosa em conjunto com um grupo de promotores de eventos.

Foi identificado também que os integrantes da facção repassaram ordens para que não fosse contratado artista de São Paulo, tendo em vista ser o estado de outra facção, possivelmente, rival da que atua em Mato Grosso. Por conta dessa ordem, o artista conhecido como MC Daniel foi hostilizado durante a realização de um show em Cuiabá, em dezembro de 2023, e teve que sair escoltado do local. O integrante da facção que promoveu o show foi punido pelo grupo com a pena de ficar sem realizar shows e frequentar casas noturnas em Cuiabá, pelo período de dois anos.

Durante as investigações também foi identificado que os criminosos contavam com o apoio de agentes públicos responsáveis pela fiscalização e concessão de licenças para a realização dos shows, sem a documentação necessária.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso apurou ainda que um parlamentar municipal atuava em benefício do grupo na interlocução com os agentes públicos, recebendo propina.