ALVO DE OPERAÇÃO

Ex-Miss de Mato Grosso tem fazenda investigada por trabalho análogo à escravidão

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Ex-Miss de Mato Grosso tem fazenda investigada por trabalho análogo à escravidão

A fazenda Eliane Raquel e Quinhão, localizada em Nova Maringá, Mato Grosso, foi recentemente alvo de uma ação do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão.

A propriedade pertence a Taiany Franca Zimpel, que ganhou destaque como Miss Mato Grosso em 2016 e Miss MT Internacional em 2024, mas até o momento não se pronunciou sobre o caso.

Entendo o caso

Uma operação, realizada na segunda-feira (15), reuniu o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Polícia Federal (PF). Durante a ação, foram resgatados vinte trabalhadores, incluindo um adolescente de 17 anos, em condições análogas à escravidão na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão.

As vítimas haviam sido contratadas pela empresa T.F. Zimpel Ltda. para cortar e empilhar madeira. De acordo com o MPT, tanto a empresa quanto os proprietários da fazenda foram responsabilizados solidariamente, por se beneficiarem da exploração.

A fiscalização identificou condições de trabalho degradantes na fazenda, com alojamentos precários, falta de água potável, ausência de registro em carteira, salários não pagos e equipamentos de proteção ausentes.

Os trabalhadores dormiam em colchões velhos sobre o chão de terra ou em redes próximas a tambores de combustível, sem ventilação. A água consumida vinha de poços contaminados e o banho era tomado em córregos turvos. A alimentação era insuficiente, baseada em açaí e caça de animais silvestres. Houve ainda relatos de intimidação por pessoas armadas e restrição da liberdade de locomoção.

O procurador do Trabalho Gustavo Rizzo Ricardo ressaltou a gravidade do caso: “O trabalho análogo ao escravo não será tolerado. É preciso ação coordenada e imediata para reparar as vítimas e evitar a reincidência”.

Em consequência, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre os responsáveis e o MPT. O acordo prevê: 

- R$ 418 mil em verbas salariais e rescisórias;

- R$ 1 milhão por dano moral coletivo, destinado ao Projeto Ação Integrada – Mato Grosso;

- R$ 200 mil por dano moral individual, equivalente a R$ 10 mil para cada trabalhador.

A Auditoria-Fiscal do Trabalho emitiu guias de Seguro-Desemprego Especial, garantindo três parcelas de um salário-mínimo a cada uma das vítima. 

Autos de infração foram lavrados contra a empresa e os responsáveis.