A Polícia Civil de Mato Grosso investiga dois ex-funcionários de uma empresa de segurança privada suspeitos de desviar aproximadamente R$ 1,2 milhão. A ação faz parte da Operação Integracione, que apura fraudes praticadas pela ex-coordenadora financeira Renata Mendes Correa Souza e pelo ex-supervisor Luiz Anselmo Souza Cândido. Segundo a investigação, o casal teria usado funções de chefia para executar o esquema.
A pedido da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos, a Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário dos envolvidos. Nesta sexta-feira (5), a Polícia Civil cumpriu 18 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão e sequestro de bens.
O inquérito apura furto qualificado, associação criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro. O marido de Renata, Wanderley Nunes Xavier, também é investigado por possível participação.
Como o esquema funcionava
Uma auditoria interna da empresa identificou diversas irregularidades que podem elevar o prejuízo final. Entre as fraudes apontadas estão:
ordens de serviço inexistentes;
notas fiscais falsas;
duplicidade e superfaturamento de comissões;
financiamentos em nome da empresa sem justificativa;
transferências e PIX para os investigados e para uma empresa de fachada ligada a Luiz Anselmo.
A empresa LSC/LAS Cândido Sistema de Proteção LTDA ME teria sido usada para ocultar parte do dinheiro desviado.
Sigilo quebrado e movimentações suspeitas
A Justiça determinou a análise de todas as contas dos investigados por meio do sistema Simba, no período de janeiro de 2023 a novembro de 2025. Os bancos terão 30 dias para entregar extratos, faturas, chaves PIX e registros de operações financeiras.
O COAF identificou movimentações incompatíveis com a renda dos suspeitos:
Renata teria movimentado R$ 4,9 milhões;
Luiz Anselmo realizou saques que somam R$ 669 mil em curto intervalo.
A investigação também aponta que Renata mencionou, em gravação, o envolvimento do marido no esquema, enquanto Luiz transferiu um carro recém-comprado para outra pessoa após o caso se tornar público — indícios de tentativa de ocultação de patrimônio.