O anúncio do lançamento do energético "Tadala", edição limitada da marca Baly Energy Drink para o Carnaval de Salvador, provocou forte repercussão nas redes sociais e acendeu um alerta entre especialistas da área da saúde. A campanha faz referência direta à Tadalafila, medicamento de uso controlado indicado para o tratamento da disfunção erétil, o que levantou questionamentos sobre os limites da publicidade e os riscos à saúde pública.
Embora apresentada como uma ação criativa e bem-humorada, a iniciativa foi criticada pelo Conselho Nacional de Farmácia (CNF), que vê com preocupação o uso de trocadilhos e alusões explícitas a fármacos de prescrição médica. Para a entidade, esse tipo de estratégia pode contribuir para a banalização do consumo de medicamentos e estimular a automedicação, especialmente em ambientes de grande exposição e consumo de álcool, como o Carnaval.
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A tadalafila não é uma substância isenta de riscos. O medicamento atua diretamente no sistema cardiovascular e requer avaliação clínica antes do uso. A ingestão sem orientação médica pode provocar efeitos adversos como queda da pressão arterial, dores de cabeça intensas, alterações visuais, taquicardia, priapismo e, em casos mais graves, eventos cardiovasculares. Os perigos aumentam ainda mais quando há consumo simultâneo de bebidas alcoólicas ou interação com outros remédios, sobretudo os nitratos, frequentemente utilizados por pacientes com problemas cardíacos.
Segundo o CNF, ao associar um medicamento a uma bebida recreativa e a um contexto festivo, a campanha pode transmitir uma mensagem equivocada de que o uso do fármaco é simples, seguro e livre de consequências. A criação de um "sabor" que remete ao remédio reforça esse imaginário, minimizandi os riscos reais envolvidos.
O alerta ganha ainda mais relevância durante o Carnaval, período marcado por longas jornadas sob o sol, consumo excessivo de álcool e menor atenção aos limites do próprio corpo.
Para o CNF, é fundamental que campanhas publicitárias respeitem critérios éticos e sanitários, evitando associações que possam colocar em risco a saúde da população.