OPERAÇÃO CARBONO OCULTO

Empresas de combustíveis ligadas ao PCC são alvos da Receita Federal

· 2 min de leitura
Empresas de combustíveis ligadas ao PCC são alvos da Receita Federal

Na última quinta-feira (28), a Receita Federal, em conjunto com diversos órgãos, deflagrou a “Operação Carbono Oculto”, que prendeu empresários do setor de combustíveis suspeitos de colaborar com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação apura o envolvimento de companhias em oito estados do país e já tem como principais alvos a produtora de gasolina Copape e a distribuidora Aster Petróleo.

Ao todo, a investigação mira 350 alvos e determinou o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão em bens. Segundo a Receita, cerca de 1.000 postos de combustíveis, espalhados por dez estados (SP, BA, GO, PR, RS, MG, MA, PI, RJ e TO), movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, grande parte destinada à lavagem de dinheiro da facção criminosa.

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O esquema funcionava por meio de recebimento em espécie ou via maquininhas de cartão, tornando o dinheiro ilícito em recursos aparentemente legais, que eram posteriormente devolvidos ao PCC. Apesar do alto volume de movimentação, o recolhimento de tributos foi considerado irrisório e incompatível com as atividades declaradas, o que já resultou em autuações que somam R$ 891 milhões.

As investigações apontam ainda que cerca de 140 postos foram usados para emitir R$ 2 bilhões em notas fiscais simuladas de combustíveis, com o objetivo de mascarar recursos ilícitos depositados em distribuidoras ligadas à facção.

Veja as principais empresas investigadas:

Grupo Copape/Aster

Apontado como o cérebro do esquema, o grupo reúne a produtora de combustíveis Copape, fundada em 1997 em Guarulhos (SP), e a distribuidora Aster Petróleo, criada um ano antes na mesma cidade. A Copape produzia gasolina a partir de hidrocarbonetos, enquanto a Aster atuava na distribuição, atendendo cerca de 1.000 postos de combustíveis.

Em setembro de 2023, as companhias entraram com pedido de recuperação judicial após perderem a licença de operação concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O grupo pertence ao empresário Mohamad Hussein Mourad, que tinha como sócio Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Loco. Ambos estão foragidos desde a deflagração da operação.

Segundo a Receita Federal, os dois usavam centenas de empresas de fachada para movimentar e ocultar recursos ilícitos. O esquema incluía ainda sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, prática que ampliava os lucros e prejudicava consumidores. De acordo com o promotor Yuri Fisberg, do Ministério Público de São Paulo, alguns postos fiscalizados no estado vendiam gasolina com até 90% de metanol, substância proibida que pode causar sérios danos aos veículos.

Grupo Refit (ex-Manguinhos)

Fundada em 1954 no Rio de Janeiro como Refinaria de Manguinhos, a empresa passou a se chamar Refit em 2017. Hoje, é chefiada pelo advogado Ricardo Magro e atua como fornecedora de combustíveis.

As investigações apontam que, após a Copape ser impedida judicialmente de operar, a Refit passou a fornecer combustíveis ao esquema criminoso, por meio da distribuidora Rodopetro.

G8 Log e RTI Bless Trading

Essas empresas também eram controladas por Beto Loco e Mourad. A RTI Bless Trading atuava na venda de derivados de petróleo, enquanto a G8 Log Transportes gerenciava uma frota de caminhões registrada em nome de outra companhia, responsável pelo transporte de combustíveis para usinas de álcool no interior de São Paulo.