O empresário de 33 anos, José Clóvis Pezzin de Almeida, conhecido como Marlon Pezzin, que atingiu propositalmente, com seu veículo, o deck de um restaurante na Praça Popular, em Cuiabá, foi preso nesta terça-feira (9), pela Polícia Civil de Mato Grosso, após a Justiça decretar sua prisão preventiva por descumprimento de medida protetiva concedida à ex-namorada. De acordo com informação divulgada pela Folha do Estado, a decisão que determinou a nova prisão foi proferida no domingo (7) pelo juiz plantonista Jean Garcia de Freitas Bezerra.
No despacho, o juiz ressaltou que o empresário descumpriu reiteradamente a medida protetiva expedida em 26 de novembro deste ano, expondo a vítima a risco contínuo e tornando inviável a adoção de medidas cautelares alternativas. Apesar da constatação das violações, o Judiciário não detalhou quais determinações foram desrespeitadas.
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Violência Doméstica e Violência Psicológica contra a Mulher
Marlon é acusado de agredir a então namorada em março de 2022, em uma residência no bairro Santa Marta, em Cuiabá. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima foi socorrida por amigas e levada ao Hospital Santa Rosa, com hematomas pelo corpo, rosto, bochechas e braços. Na época, a defesa alegou que o empresário fazia uso de medicação controlada para tratar transtornos psiquiátricos e havia consumido álcool antes das agressões, o que teria provocado um surto. Ele afirmou não se lembrar do ocorrido. Após o caso, Marlon chegou a ficar detido por 32 dias no Centro de Ressocialização de Cuiabá.
Conforme relato da vítima à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá, ela sofreu agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais, incluindo ameaças de morte, perseguição, intimidações com arma de fogo, destruição de objetos e até um acidente de trânsito provocado pelo suspeito, que resultou em fraturas.
Ela também afirmou ter sido alvo de chantagens com imagens íntimas e ter tido seu nome usado em dívidas contraídas por ele. Apesar de registrar boletins de ocorrência e solicitar medidas protetivas, o empresário descumpriu as determinações e continuou a ameaçá-la. Diante do histórico de violência, do acesso a armas e dos mais de 15 registros policiais relacionados ao suspeito, a delegada Vanessa Aguiar representou pela prisão preventiva, que foi deferida e cumprida nesta terça-feira.
Outros casos - Agressão, tentativa de homicídio, lavagem de dinheiro e dano qualificado
O empresário também acumula outros episódios policiais. Em 2021, Marlon se envolveu em uma confusão em uma boate da capital, onde teria agredido uma mulher e efetuado disparos de arma de fogo na Avenida Isaac Póvoas antes de fugir.
Já em janeiro deste ano, conduzia um Porsche amarelo quando colidiu violentamente com a traseira de um Volkswagen Fox, na Estrada da Guia, durante um suposto racha. O jovem de 20 anos que dirigia o outro veículo foi socorrido em estado grave.
Marlon também foi alvo da Operação Hades, deflagrada pela Polícia Civil de Alagoas, que investigou um esquema interestadual de lavagem de dinheiro com participação de facções criminosas. Ao todo foram 79 mandados de prisão e 228 de busca e apreensão nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. Em Mato Grosso, mandados foram cumpridos em Várzea Grande, Vila Bela da Santíssima Trindade e Chapada dos Guimarães.
Mais recentemente, em maio deste ano, o empresário foi indiciado por dano qualificado, tentativa de homicídio com dolo eventual e omissão de socorro, após atingir propositalmente com um veículo o deck do restaurante Haru, na Praça Popular, em Cuiabá, durante uma confusão iniciada dentro do estabelecimento.
Com a nova prisão decretada, o empresário permanece à disposição da Justiça.