O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, deixou na manhã deste sábado (28) o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo, após permanecer 11 dias preso no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Ao sair, Vorcaro estava calado, vestindo camiseta branca, calça jeans e boné, com uma bíblia nas mãos, e realizou o teste da tornozeleira eletrônica antes de entrar no carro. Não houve diálogo com a imprensa.
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A liberdade foi concedida por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), por meio de um habeas corpus assinado pela desembargadora Solange Salgado.
No documento, a magistrada reconhece que há indícios para investigar os crimes atribuídos aos executivos, mas destaca que não houve violência ou grave ameaça, permitindo o cumprimento de medidas cautelares.
Entre as obrigações impostas estão:
- uso de tornozeleira eletrônica;
- recolhimento domiciliar noturno;
- proibição de contato com outros investigados;
- restrição à atuação no setor financeiro;
- comparecimento periódico à Justiça;
- entrega do passaporte e impedimento de deixar o país.
Vorcaro foi detido no dia 17 de novembro, quando tentou embarcar em um jato particular para o exterior. Um dia depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, medida que ocorreu logo após o Grupo Fictor demonstrar interesse na compra da instituição.
As investigações indicam um esquema de fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões, envolvendo a venda de carteiras de crédito supostamente falsas ao BRB (Banco de Brasília), como forma de cobrir prejuízos do Master. O banco nega irregularidades e afirma ter atuado de boa fé, inclusive permitindo ao BRB substituir os ativos para evitar perdas.
Em março deste ano, o BRB chegou a apresentar uma proposta formal para adquirir o Master. A análise durou cinco meses, mas foi interrompida quando o Banco Central barrou a operação. A liquidação e as negociações com investidores estrangeiros continuam em andamento.
Veja também: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tem prisão revogada por desembargadora do TRF-1