"NOVO CANGAÇO"

Depoimento de mulher de criminoso foi chave para prisão de quadrilha que assaltou

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Depoimento de mulher de criminoso foi chave para prisão de quadrilha que assaltou
Reprodução: RDNews

Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (4), na Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, em Cuiabá, autoridades detalharam a prisão dos criminosos envolvidos no assalto à agência da cooperativa Sicredi, ocorrido na última quinta-feira (31), em Brasnorte (MT). Até o momento, 14 pessoas estão presas, sendo que 12 teriam envolvimento direto no crime. 

O crime ocorreu na tarde de quinta-feira (31), quando quatro homens armados invadiram a agência, renderam funcionários, roubaram dinheiro e fugiram com reféns. As forças de segurança foram mobilizadas imediatamente, com atuação integrada das polícias Civil e Militar, incluindo agentes da Delegacia Regional de Tangará da Serra e de Cuiabá.

O delegado Frederico Murta, chefe da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, destacou que os suspeitos não reagiram à prisão. “Aqui em Mato Grosso, esse tipo de ação não é tolerado. Nunca foi e não será. É uma escolha do criminoso: se ele quer vir preso ou deitado”, afirmou.

Um dos principais pontos da investigação foi o depoimento da companheira de um dos assaltantes, que colaborou com a polícia ao revelar que sua residência era usada como base de apoio e planejamento para o crime. Segundo o comandante do 7º Comando Regional da Polícia Militar, tenente-coronel Franco, a confissão da mulher foi fundamental para identificar e localizar os demais integrantes do grupo.

“Ela nos revelou diversos atos preparatórios para o crime. Disse, inclusive, que a casa dela era usada como ponto de reunião da quadrilha. Com base nas informações, conseguimos rastrear outros envolvidos e prender todos”, explicou o tenente-coronel.

Rastro de provas leva à prisão de envolvidos

As investigações da Polícia Civil e Militar de Mato Grosso resultaram na prisão de quatro suspeitos diretamente ligados ao assalto à agência do Sicredi em Brasnorte, além de dois policiais militares investigados por possível envolvimento no crime.

Entre os presos está um dos suspeitos pelo roubo da caminhonete Toyota Hilux utilizada pela quadrilha durante a ação criminosa. O veículo havia sido furtado dois dias antes do assalto, em 29 de julho.

Outro detido foi surpreendido com um revólver calibre .357 carregado, escondido em sua residência. Ele morava com um dos criminosos envolvidos. Um terceiro integrante preso atuava como agiota e, segundo os investigadores, teria financiado parte da operação criminosa — suspeita reforçada pela quantia em dinheiro encontrada em sua posse.

O quarto suspeito afirmou à polícia que participou das reuniões de planejamento do roubo, embora sua presença na execução do crime ainda não tenha sido confirmada. Todos permanecem sob custódia e à disposição da Justiça.

Dois policiais também foram presos

Além dos civis, dois policiais militares foram presos suspeitos de participação indireta no assalto. As investigações preliminares indicam que os PMs podem ter atuado como informantes ou facilitadores do crime.

O Tenente-coronel Franco revelou que análises dos sistemas de monitoramento indicaram um comportamento atípico no tempo de resposta das viaturas da PM após o assalto à agência do Sicredi em Brasnorte.

Segundo ele, houve um lapso temporal de aproximadamente cinco minutos entre a fuga da caminhonete Toyota Hilux, utilizada pelos criminosos, e a atuação das equipes policiais.

“Houve um lapso temporal de aproximadamente 5 minutos de vantagem para a Hilux (veículo utilizado no crime) estar empreendendo fuga. Para que vocês entendam bem, 5 minutos em uma velocidade de 120 km/h representa 10 km. É a distância daqui da SESP (Centro Político) até a Arena Pantanal, indo pela Miguel Sutil”, explicou o comandante.

Embora os registros apontem uma diferença de apenas 35 segundos entre a saída da viatura e a fuga da Hilux na cena do crime, o comandante destacou que o deslocamento em um trecho de apenas 1,8 mil metros demorou cerca de cinco minutos, o que corresponderia a uma velocidade média de apenas 21 km/h — considerada incompatível com uma situação de resposta emergencial.

“Nós entendemos isso como atípico e dada as circunstâncias, a gente começou a fazer as entrevistas, chegou à informação da Inteligência que que poderia ter a participação dos militares e uma dessas pessoas, de fato, confirmou. Em razão dessa confirmação e desse delay de 5 minutos, nós entendemos que, de alguma forma, eles tiveram participação”, afirmou Franco.

As prisões foram mantidas após audiência de custódia, e o caso está sendo apurado pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp-MT).

Até o momento, 14 pessoas foram presas por elo no crime. O caso segue investigado. Novas diligências estão previstas, e mais mandados de prisão e busca e apreensão poderão ser cumpridos nos próximos dias.

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