HOSPITAL EM CUIABÁ

Delegado prende residente por atuar como anestesista e CRM reage

Da Redação, FTN Brasil
· 2 min de leitura
Delegado prende residente por atuar como anestesista e CRM reage

O delegado Pablo Carneiro, da Delegacia de Estelionatos de Cuiabá, prendeu em flagrante, nesta terça-feira (19), o médico residente G.S. de L., dentro do Hospital HBento, após acusá-lo de atuar irregularmente como anestesista. A abordagem ocorreu durante uma consulta clínica marcada pelo próprio delegado, que buscava avaliação pré-cirúrgica.

Segundo relato do delegado, o agendamento indicava que o atendimento seria feito por uma médica, mas ele foi recebido pelo residente Gilmar. Durante a consulta, o profissional realizou a anamnese, fez exames e preencheu o formulário médico assinando como responsável, inclusive no campo destinado ao anestesistam sem carimbo. Desconfiado, o delegado teria verificado o registro profissional e constatado que o médico não possuía especialidade registrada, o que motivou a voz de prisão.

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CRM-MT reage e classifica prisão como "abusiva"

A prisão, no entanto, gerou forte reação do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), que classificou a ação como “abusiva e sem fundamento”. A entidade anunciou que vai apresentar uma representação contra o delegado na Corregedoria da Polícia Civil e também oficiará o governador Mauro Mendes e a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) pedindo providências.

O presidente do CRM-MT, Diogo Leite Sampaio, afirmou que o médico foi alvo de “violência institucional”.

É uma violação grave dos direitos e prerrogativas de um médico formado, devidamente inscrito e apto a exercer sua profissão. Ele foi preso por uma alegação absurda e fantasiosa. Foi vítima de violência institucional, e o Conselho irá agir com firmeza”, declarou.

Profissionais que acompanharam a ação relataram que, após o atendimento, o delegado saiu do consultório e voltou rapidamente já anunciando a prisão. Funcionários que tentaram pedir explicações teriam sido ameaçados. Segundo testemunhas, Carneiro disse que “na viatura que estava chegando caberiam mais pessoas”.

O residente foi levado à delegacia, mas liberado após depoimentos de outros médicos e funcionários confirmarem que não houve qualquer crime. Ainda segundo relatos, ao perceber que não havia base jurídica para a detenção, o delegado teria tentado alterar a tipificação da ocorrênciam sem sucesso.

O CRM-MT reforçou que médicos residentes são legalmente habilitados a realizar consultas e avaliações, desde que sob supervisão e dentro de sua área de atuação.

“Eles passam por processo seletivo rigoroso, atuam sob supervisão e têm respaldo legal para conduzir consultas e avaliações. Não houve qualquer irregularidade por parte do profissional”, afirmou Sampaio.

O residente é formado pela Universidad de Aquino (Bolívia), com diploma revalidado pela Universidade de Brasília (UnB). Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), apenas médicos com residência concluída ou aprovados em prova de título podem anunciar-se como especialistas, mas isso não impede residentes de realizar atendimentos clínicos, desde que supervisionados.

O caso segue sob apuração.