A Defensoria Pública de Mato Grosso entrou com recurso para tentar diminuir a pena de 225 anos aplicada a Gilberto Rodrigues dos Anjos, 34, condenado por matar e violentar Cleci Calvi Cardoso, 46, e suas três filhas em Sorriso, no norte do estado.
O julgamento, realizado em 7 de agosto, é considerado um dos mais emblemáticos da história recente da Justiça mato-grossense. Apesar da condenação severa, a defesa sustenta que parte dos crimes deveria ser classificada como vilipêndio de cadáver, e não como estupro — mudança que reduziria a pena total.
O Ministério Público já anunciou que vai recorrer para manter a sentença na íntegra. O promotor do caso, Luiz Fernando Rossi Pipino, afirmou que Gilberto representa “risco extremo à sociedade” e comparou a brutalidade dos atos ao caso do “Maníaco do Parque”, em São Paulo, nos anos 1990.
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O massacre ocorreu em novembro de 2023, quando o réu invadiu a residência da família Cardoso, no bairro Florais da Mata. Cleci e as filhas Miliane, 19, Manuela, 13, e Melissa, 10, foram assassinadas com extrema violência. Três delas foram degoladas e também sofreram violência sexual; a mais nova morreu por estrangulamento.
O júri popular durou cerca de dez horas e resultou em condenação por quatro feminicídios qualificados e três estupros. A sentença foi proferida pelo juiz Rafael Deprá Panichella, da 1ª Vara Criminal de Sorriso.
O caso provocou forte comoção e contribuiu para a aprovação do chamado “Pacote Antifeminicídio”, em 2024, que endureceu penas para esse tipo de crime. Porém, as mudanças legais não têm efeito retroativo e não se aplicam ao processo de Gilberto.
Paralelamente, familiares das vítimas acionaram o Estado de Mato Grosso na Justiça, pedindo R$ 40 milhões em indenização. Eles alegam falha do poder público, já que o condenado tinha mandado de prisão em aberto por latrocínio desde 2022 e continuava em liberdade.