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Cuiabá e Várzea Grande estão entre as cidades que mais desperdiçam água

Do Jornal Nacional
· 2 min de leitura
Cuiabá e Várzea Grande estão entre as cidades que mais desperdiçam água

Com reservatórios no limite, o desperdício preocupa. Enquanto falta água para muita gente, milhões de litros se perdem em vazamentos. Especialistas alertam: combater essa perda é um desafio que o Brasil não pode mais adiar.

Torneiras secas no começo do ano. Com as manobras de redução de pressão por causa da crise hídrica, a água não tem força para chegar na caixa em partes altas da cidade. E tem sido assim há um mês na casa da Adriana, na Zona Noroeste de São Paulo.

“Nesse tanque é água da caixa, não tem também, porque a água não sobe da caixa. E aqui é o que vem da rede, olha a situação: não tem água”, conta.

Enquanto isso, na mesma região, água tratada escorre em um vazamento, que chamou a atenção da gerente de planejamento Elaine Favari:

"Eu economizo a água, para daí a gente passar aqui na rua e ver esse absurdo aqui?", pergunta.

Reduzir o desperdício é um enorme e urgente desafio brasileiro. Segundo o Instituto Trata Brasil, em países desenvolvidos, as perdas giram em torno de 15%. Aqui é mais que o dobro disso.

"Hoje, infelizmente, nós perdemos 39,5% de todo o volume de água produzido antes de chegar na casa de cada cidadão”, afirma Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil.

Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso, estão entre as cidades que mais desperdiçam. São perdas que afetam a todos que dependem desse bem comum.

"A gente acaba captando muito mais água no rio do que deveria estar captando. E o impacto econômico também, porque essa ineficiência nesse sistema de distribuição gera um maior custo de produção de água e uma maior tarifa para a população”, diz Luana Pretto.

Em São Paulo, a captação nas represas bateu recorde em 2025: quase 71 mil litros por segundo - 3% mais que em 2024 e 8% acima de 2023. Em uma sala da Sabesp, novas tecnologias estão sendo implantadas para, de maneira remota, controlar a pressão, detectar ligações clandestinas e acompanhar vazamentos e reparos com mais precisão.

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Os primeiros testes feitos em 2024 mostram como a tecnologia pode ajudar a reduzir o desperdício. Em uma área da rede de 50 km no Centro de São Paulo, os métodos convencionais detectaram 14 vazamentos. Com o uso da inteligência artificial e dos satélites, o número saltou para 81 vazamentos identificados na mesma área. O satélite detecta vazamentos por diferenças de temperatura no solo. O sistema deve ser implantado até 2027. O Brasil tem meta de reduzir as perdas em 25% até 2033.

"Hoje, nós temos em torno de 36 mil vazamentos no estado todo por mês. E uma das principais ações é o combate aos vazamentos. Sejam os vazamentos visíveis ou os não visíveis, os não detectados visivelmente, que a gente usa tecnologia de ponta também para poder identificar”, afirma Nivaldo Rodrigues, diretor regional da Sabesp.

Mas além da tecnologia, é preciso o uso consciente e olhos atentos para denunciar o desperdício.

A Sabesp afirmou que consertou o vazamento mostrado na reportagem.

A Águas Cuiabá declarou que vai investir R$ 250 milhões até 2030 em ações para reduzir perdas. E o Departamento de Água de Várzea Grande disse que os vazamentos são consequência de problemas antigos; que busca soluções definitivas e faz reparos diários para garantir o abastecimento.

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