"FUGINDO DO CONTROLE"

Contrato milionário não avança e DAEVG busca socorro em SP após decreto de calamidade

Gislaine Morais/VG Noitícias
· 2 min de leitura
Contrato milionário não avança e DAEVG busca socorro em SP após decreto de calamidade

Três dias após a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), decretar estado de calamidade pública por causa da grave crise no abastecimento de água potável, a população continua sofrendo com torneiras secas e promessas de soluções emergenciais. Para tentar amenizar o problema nesta sexta-feira (24), o vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) e o presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), coronel Zilmar Dias, anunciaram que foram a São Paulo em busca de locação de bombas de captação.

“Fomos a São Paulo em busca de soluções, e uma das principais foi a locação de bombas de captação, tanto para operação quanto para reforço. Enfrentamos três problemas, em poucos dias, em uma única captação que abastece a ETA dos Imigrantes”, afirmou Zilmar.

A declaração causou estranhamento, já que, em maio deste ano, o DAE firmou um contrato de R$ 21,6 milhões com a Cooperativa de Trabalho e Serviços de Rondonópolis (Coomser), para obras de ampliação e manutenção da rede de abastecimento. Questionado sobre o andamento do contrato, o presidente do DAE reconheceu dificuldades operacionais e atribuiu a lentidão à falta de mão de obra e de recursos financeiros.

“A Coomser é nossa parceira, trabalha muito bem em Rondonópolis, mas aqui encontrou situações peculiares. Uma delas é a falta de mão de obra”, admitiu.

O vice-prefeito Tião da Zaeli reforçou a fala e foi além: segundo ele, o DAE “mal consegue pagar a folha e a conta de energia”.

“Herdamos uma gestão anterior que sequer quitava a conta da Energisa. Hoje estamos pagando, mas isso zera o caixa. As ordens de serviço são emitidas conforme a disponibilidade financeira”, justificou.

A explicação, no entanto, reforça o cenário de desorganização e falta de planejamento dentro da autarquia. Mesmo com milhões contratados e uma estrutura administrativa robusta, a prefeitura ainda depende de medidas paliativas, como o uso de caminhões-pipa, e de decretos para acelerar processos de compra.

“O decreto flexibiliza as licitações e acelera a aquisição dos equipamentos de que precisamos. Essa é a principal vantagem”, disse Zaeli.

Enquanto o governo tenta justificar as falhas com “entraves burocráticos” e “heranças de gestões passadas”, a situação nas Estações de Tratamento de Água (ETAs) segue crítica.

Na ETA Cristo Rei, por exemplo, seis milhões de litros de água são desperdiçados por dia devido ao entupimento dos módulos de ultrafiltragem, um problema que, segundo o DAE, foi causado por óleo lubrificante despejado pelos motores.

O processo de manutenção desses filtros, essencial para retomar a capacidade de abastecimento, está parado na Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), travado por trâmites burocráticos.

Além da crise hídrica, o DAE enfrenta dívidas com fornecedores e com a Energisa, além de ações judiciais relacionadas ao esgotamento sanitário.

“Não é só a água. Temos um passivo enorme no saneamento básico”, reconheceu Zilmar.

Enquanto isso, milhares de moradores seguem convivendo com a falta d’água, o improviso e a ausência de gestão eficaz, em um município que há anos sofre com promessas de melhorias que nunca saem do papel.

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