A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, na manhã desta quinta-feira (21), a Operação Ludus Sordidus, destinada a desarticular uma organização criminosa que atuava em apostas ilegais, tráfico de drogas, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. A ação resultou no cumprimento de 38 mandados judiciais, incluindo prisões preventivas e bloqueios de bens que somam mais de R$ 13,3 milhões. Entre os investigados estão pessoas de destaque na comunidade local e nas redes sociais, que usavam o luxo e a ostentação como fachada para esconder a origem ilícita do dinheiro.
Principais alvos da operação:
Sebastião Lauze, o “Dono da Quebrada”
Presidente de um time de futebol amador em Várzea Grande, Lauze é apontado como líder do grupo, responsável por coordenar tráfico, apostas ilegais e fraudes.
Conhecido como "Veio" ou "Vovô", Sebastião Lauze é presidente do SN Futebol Clube, time amador de Várzea Grande com vários títulos. Por trás do uniforme, porém, segundo as investigações, Lauze controlava a atuação criminosa nos bairros sob domínio da facção, sendo um dos articuladores do tráfico, jogos de azar e fraudes financeiras.
João Bosco, gerente das apostas
João Bosco, do traficante Sebastião Lauze Queiroz, conhecido como “Dandão”, recebia 10% dos lucros das casas de apostas ilegais, que teriam movimentado milhões de reais.
Seu nome já havia surgido em investigações anteriores ligadas ao financiamento de crimes e à lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada.
Ozias Rodrigues, o “Shelby” do crime
Com o apelido de "Shelby", Ozias Rodrigues é considerado disciplinador do Comando Vermelho. Ele já havia sido preso na Operação “A César o que é de César”, em fevereiro deste ano, por extorquir empresários de Várzea Grande e Rondonópolis.
As ameaças eram feitas em nome da facção.
Dainey Aparecido, o “influencer do crime”
Ostentava viagens e carros de luxo nas redes sociais enquanto gerenciava plataformas ilegais de apostas. Conhecido nas redes como “Deniz Bet”, Dainey Aparecido ganhou notoriedade ao ostentar viagens internacionais, cruzeiros e carros de luxo. Por trás da imagem de “influencer”, ele comandava plataformas ilegais de apostas como “Gol Bet” e “Campeão Bet”, utilizadas para movimentar recursos ilícitos.
Ele já havia sido preso por tráfico em fevereiro de 2025, quando foi flagrado com R$ 40 mil em espécie.
Renan Curvo, operador digital
Parceiro de Dainey, cuidava da intermediação de valores e da atração de apostadores. Renan Curvo também foi alvo da operação por atuar diretamente nas casas de apostas ilegais. De acordo com a polícia, ele era o responsável por intermediar valores e atrair apostadores, funcionando como operador digital da estrutura criminosa.
Segundo a polícia, o grupo utilizava empresas de fachada, “laranjas” e até times de futebol para ocultar os recursos obtidos de forma ilícita. Veículos de luxo, imóveis e valores em conta foram bloqueados para enfraquecer a estrutura criminosa.
A operação foi realizada em Cuiabá, Várzea Grande e Nova Odessa (SP), com apoio da CORE, Gepol e da Polícia Civil de São Paulo, dentro do programa Tolerância Zero e da Rede Nacional de Unidades de Combate ao Crime Organizado (Renorcrim).