O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi apresentou, nesta terça-feira (10), novo atestado médico que o afasta por 90 dias do trabalho. Buzzi foi alvo de duas denúncias de assédio sexual.
A primeira mulher que o denunciou foi uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro.
A coluna apurou que o atestado foi assinado por uma médica psiquiatra. A profissional relatou que Buzzi é portador de comorbidades, como diabetes e hipertensão, e que, devido ao tratamento com medicamentos, será necessário que ele seja acompanhado por um neurologista.
O documento foi apresentado horas antes da sessão extraordinária do STJ que está marcada para as 10h. O presidente da Corte, Herman Benjamin, convocou os colegas ainda na noite de segunda-feira (9/2), após a segunda denúncia contra Buzzi ser revelada.
O segundo relato de assédio sexual chegou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Fontes ouvidas pela coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles, afirmaram que o corregedor nacional, ministro Mauro Campbell Marques, ouviu declarações da nova suposta vítima e registrou oficialmente a denúncia.
A Corregedoria Nacional de Justiça informou oficialmente durante a noite de segunda que segue realizando diligências sobre o caso e relatou oitiva com possível nova “vítima de fatos análogos àqueles objeto de procedimento em curso, tendo sido aberta nova reclamação disciplinar para apuração destes novos fatos. Tais procedimentos tramitam sob sigilo legal”.
Conforme mostrou a coluna Grande Angular, o ministro Marco Buzzi foi alvo de grave acusação de assédio sexual contra uma jovem de 18 anos, que passava as férias de janeiro hospedada na casa do magistrado, em Balneário Camboriú (SC). O nome do ministro acusado de assédio foi revelado pelo Metrópoles.
A garota é filha de um casal de amigos do magistrado. No dia 9 de janeiro, eles se encontravam na praia, e, em determinado momento, a jovem foi tomar um banho de mar. Buzzi também estava dentro da água. Segundo relatos da vítima, que entrou em estado de desespero, o ministro, que estaria visivelmente excitado, tentou, por três vezes, agarrá-la.
Ela conseguiu se desvencilhar, correu para a praia e contou aos pais o ocorrido. Estupefato, o casal de amigos deixou o local e seguiu para São Paulo, onde registrou boletim de ocorrência sobre o caso em uma delegacia de polícia.
Carta
À noite, Buzzi escreveu uma carta aos ministros do STJ dizendo que é inocente e que provará isso no curso do processo.
O ministro, que apresentou atestado médico de 10 dias após a divulgação da primeira denúncia, afirmou que se encontra “internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional”.
“De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, diz o ministro em trecho da carta.
Na declaração, o ministro afirma que provará ser inocente. “Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado”, disse.