VENDA DE DECISÕES

Citada em novo relatório da Polícia Federal, Fource movimentou R$ 14,5 milhões com Zampieri

· 3 min de leitura
Citada em novo relatório da Polícia Federal, Fource movimentou R$ 14,5 milhões com Zampieri
Haroldo Augusto Filho e Valdoir Slapak - principais sócios da Fource

Investigação da Polícia Federal que identificou R$ 14,5 milhões em transações entre o grupo Fource e o advogado Roberto Zampieri ganhou um novo capítulo após relatório recente apontar indícios de envolvimento da empresa no esquema de venda de decisões judiciais que tem como pivô o lobista Andreson de Oliveira, atualmente preso.

A Polícia Federal identificou, por meio de rastreamento bancário, a existência de operações reiteradas entre CNPJs ligados ao grupo Fource, com sede em Cuiabá, e a conta do espólio de Zampieri, totalizando 43 transações de crédito e débito.

Em novo relatório divulgado na semana passada, a Polícia Federal voltou a afirmar que “há indícios de envolvimento do Grupo Fource nos fatos investigados” e citou transferências financeiras feitas pelos donos da empresa.

A Fource tem como sócios principais Haroldo Augusto Filho e Valdoir Slapak.

Para a PF, "ainda não é possível mensurar a correta extensão da atuação e o papel desempenhado [pela empresa] no seio da estrutura criminosa", porque ainda há diligências pendentes a serem feitas.

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Zampieri foi assassinado em dezembro de 2023 e, em seu celular, foram encontradas informações que indicam um suposto comércio ilegal de sentenças no Judiciário, material que deu origem à Operação Sisamnes.

Na investigação, a PF encontrou indícios, inclusive em trocas de mensagens de WhatsApp, de um esquema de fraudes em recuperações judiciais milionárias ligadas ao agronegócio, capitaneado pelo Grupo Fource.

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“De igual forma, a dinâmica triangular entre Haroldo Filho, Zampieri e Andreson encontra respaldo direto nas comunicações analisadas. Os diálogos revelam que Haroldo formulava a Zampieri as demandas de interesse vinculadas a processos de relevância econômica e patrimonial, cabendo a este intermediar a execução”, diz o relatório.
Os apontamentos indicam uma estrutura para “burlar credores, manipular processos judiciais e movimentar valores de origem ilícita sob aparência de legalidade”.

Segundo o inquérito, documento da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores aponta que a Fource se apresentava como uma empresa de reestruturação de companhias em crise, oferecendo serviços de renegociação de dívidas e assessoria em recuperações judiciais.

“Na prática, porém, funcionava como um braço operacional de um esquema criminoso que usava o sistema de Justiça para fins patrimoniais”, sustenta a PF.

Três eixos principais

A investigação descreve que a atuação do grupo se apoiava em três eixos principais: judicialização instrumental, litígios artificiais e encerramento precoce de ações.

No primeiro, o grupo ingressava com medidas judiciais urgentes, liminares e tutelas, que produziam efeitos econômicos imediatos, como desbloqueio de bens, substituições de garantias e homologações de acordos previamente combinados. Esses acordos, afirma a PF, funcionavam como títulos jurídicos para justificar transferências de valores ilícitos.

No segundo eixo, eram criadas ações simuladas entre empresas ligadas à mesma estrutura societária. Após trocas de petições com “resistência aparente”, as demandas eram encerradas com acordos que regularizavam movimentações financeiras previamente ajustadas.

Por fim, quando o objetivo econômico era alcançado, os processos eram rapidamente extintos, sem julgamento do mérito, preservando os efeitos das decisões já obtidas.

Fraudes falimentares e agronegócio

Grande parte dos processos sob suspeita, segundo o relatório, envolve empresas do setor do agronegócio. A PF explica que as fraudes nesse campo costumam seguir uma “engrenagem organizada”, aproveitando lacunas da Lei 11.101/2005 (Lei de Falências) e o desequilíbrio de informações entre devedores, administradores judiciais e credores.

De acordo com o documento, a Fource operava dentro dessa lógica, simulando litígios e manipulando decisões para obter vantagens econômicas ou proteger empresas parceiras da execução de dívidas.

A PF afirma que a compreensão dessa estrutura é essencial para interpretar “as mensagens analisadas, as movimentações financeiras e societárias e os atos processuais identificados” ao longo da apuração.

Novo relatório

No relatório, divulgado nesta semana, foram indiciados o ex-assessor do STJ Márcio Toledo Pinto e o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Eles são suspeitos de crimes como exploração de prestígio, organização criminosa e violação de sigilo funcional.