Um embate público entre o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) e o ex-deputado federal e ex-ministro da Agricultura Neri Geller (PP) ganhou repercussão após a divulgação de vídeos nas redes sociais. No centro da controvérsia estão versões divergentes sobre a formação histórica de Lucas do Rio Verde e o papel da reforma agrária, do Incra e do MST nesse processo.
A troca de críticas começou quando Cattani relembrou o período em que ambos viveram no município, ainda nos primeiros anos de consolidação da cidade. Embora tenha adotado inicialmente um tom pessoal e conciliador, o parlamentar passou a contestar declarações atribuídas a Geller sobre a origem do município e fez duras críticas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
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Segundo Cattani, Lucas do Rio Verde não teria surgido a partir de ocupações ou invasões de terra, mas de políticas conduzidas pelo governo federal durante o regime militar. Ele afirmou que as áreas teriam sido desapropriadas de forma legal e posteriormente regularizadas pelo Incra, que, conforme sua versão, cumpriu os prazos e a legislação para a titulação das terras. O deputado também negou que a emancipação do município tenha representado o afastamento do Incra da região.
Diante das declarações, Neri Geller reagiu publicamente e rejeitou qualquer associação com a defesa de invasões de propriedades rurais. O ex-ministro destacou sua trajetória no Congresso Nacional em favor da segurança jurídica no campo, citando leis e iniciativas das quais participou, como a Lei da Liberdade Econômica, o Fiagro, medidas de licenciamento ambiental e ações de regularização fundiária.
Geller reforçou ser contrário a ocupações ilegais, mas defendeu a reforma agrária realizada dentro dos limites da lei. Em sua resposta, afirmou ainda que o próprio Cattani e familiares teriam sido beneficiados por assentamentos promovidos pelo Incra, em áreas desapropriadas e posteriormente regularizadas pelo governo federal.
Para o ex-deputado, reconhecer conflitos fundiários ocorridos no passado não significa endossar ilegalidades, mas compreender o contexto histórico da ocupação da região. Ele sustentou que, no fim da década de 1970, houve relação entre a desocupação da Fazenda Noni, episódios como a Encruzilhada do Natalino e o assentamento de famílias em Lucas do Rio Verde, mantendo, porém, sua posição contrária a qualquer forma de invasão.
Geller concluiu defendendo que a reforma agrária em áreas devolutas e desapropriadas teve papel relevante no processo de ocupação do Centro-Oeste e da Amazônia Legal.